Somos influenciados e agentes de transformação.
- Jonatas Oliveira
- há 2 dias
- 3 min de leitura

O consumo de conteúdo, sobretudo através das mídias digitais e redes sociais, constitui um agente de socialização potente. Ele influencia de maneira sutil, mas profunda, a construção da nossa visão de mundo, dos nossos valores e das nossas atitudes.
A exposição prolongada e repetitiva a certas narrativas pode alterar a nossa percepção da realidade social, levando-nos a crer, equivocadamente, que o mundo real espelha o que vemos nas telas.
Se consumirmos conteúdos violentos com frequência, por exemplo, é provável que conceitos de agressividade se tornem mais acessíveis em nossa memória. Isso pode nos levar a interpretar situações ambíguas como hostis, resultando em um comportamento mais agressivo de nossa parte.
Existe também uma espécie de sincronia, que é emocional, entre quem ouve e quem conta a história. Essa sincronização facilita a cooperação ou a adoção de certos comportamentos.
Qual a qualidade do conteúdo que você consome na internet?

Considerando a lógica de curadoria algorítmica das redes sociais, a narrativa que nos é apresentada nem sempre corresponde à que gostaríamos de ouvir. Não podemos escolher, visto que o conteúdo chega de forma personalizada, dando a impressão de que desejamos consumir sempre os mesmos assuntos.
O ciclo de consumo que se estabelece, ao buscarmos apenas o conteúdo que já nos agrada, gera as chamadas "bolhas de informação". Isso acaba distorcendo nossa percepção da realidade e impede o contato com opiniões divergentes, limitando a ampliação de diálogos importantes.
O que consumimos impacta diretamente nossa saúde mental, pois a hiperconectividade e a constante distração alteram nosso comportamento e modo de pensar, prejudicando profundamente o foco e a concentração.
Mas, apesar das críticas frequentes às redes sociais, é inegável que existe conteúdo útil para o desenvolvimento pessoal. Ao priorizar narrativas inspiradoras e empáticas que promovam a conexão humana e o pensamento crítico, esses conteúdos podem, sim, ter um efeito positivo, estimulando a empatia, a confiança e a disposição para comportamentos pró-sociais.
Em vez de consumir passivamente qualquer conteúdo que aparece nas telas, podemos buscar ativamente a diversificação. Dessa forma, é possível encontrar materiais que realmente nos ajudem a restaurar o foco e valorizar atividades que exijam maior profundidade cognitiva.
Você faz escolhas intencionais ou apenas aceita que escolham por você?

Albert Bandura revolucionou a compreensão da influência ao apresentar a Teoria Social Cognitiva. Ele explicou que, ao observarmos os outros, somos submetidos à influência vicária. Essa influência nos leva a decidir se devemos ou não imitar o comportamento observado.
Além disso, sua teoria enfatiza que somos agentes ativos, capazes de influenciar nosso ambiente, e não apenas meros receptores de influência.
Com tudo isso, percebemos que somos, inevitavelmente, influenciados e, ao mesmo tempo, agentes de transformação e influência. Embora nem todos sejamos "influenciadores" no sentido moderno das redes sociais, estamos constantemente observando e sendo observados. Assim, mesmo que involuntariamente, estamos sempre alimentando o ciclo de aprendizado de outras pessoas e, da mesma forma, sendo nutridos pelas observações de terceiros.
Daí surge a importância de termos maior consciência das nossas atitudes e de buscarmos, cada vez mais, o autoconhecimento. Isso é essencial para que não nos percamos dos nossos valores, convicções e daquilo em que realmente acreditamos.
Contudo, isso não significa que não devemos estar abertos a novas opiniões. Pelo contrário: quando nos conhecemos bem, saberemos identificar o que de fato precisa ser modificado em nós a partir de uma nova vivência com os outros.
Como você tem influenciado outras pessoas?
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