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- O conceito de casamento evoluiu.
Será que o conceito de casamento evoluiu ou ainda estamos presos às expectativas de gerações passadas? Enviado por: Jonatas Oliveira No passado, ter alguém para compartilhar os desafios, as conquistas e a rotina era fonte de bem-estar e segurança. Hoje, continua sendo. Assim como em tantas áreas da vida, as “coisas de casal” parecem se repetir nos ciclos familiares. E, por mais que pesquisas mostrem que pessoas casadas relatam níveis de felicidade mais altos do que as solteiras, se isso não foi vivido nas gerações anteriores da nossa família, tendemos a acreditar que não será possível para nós também. A verdade é que não é o casamento em si que garante satisfação, mas a qualidade do vínculo . Se conseguirmos deixar de lado crenças herdadas de sistemas familiares marcados por casamentos infelizes e pensarmos em como fazer diferente, podemos começar pelos velhos clichês: comunicação, apoio e propósito . É isso que permite enfrentar problemas juntos com respeito, ter a certeza de contar com o outro em momentos difíceis e alinhar sonhos para fortalecer a caminhada a dois. Cada casamento constrói sua própria identidade. Para alguns, a felicidade pesa mais do que o dinheiro. Para outros, a realização está em ter filhos ou em desenvolver projetos compartilhados. O essencial é como o casal lida com os desafios da conjugalidade. O “amor romântico”, por si só, não sustenta uma relação. Amizade, companheirismo e confiança são os elementos que mantêm viva a vontade de construir uma história longa a dois. E o que se espera de um cônjuge atualmente? Que seja melhor amigo, alguém com quem rir, conversar e dividir a vida. Que seja parceiro nas tarefas, dividindo responsabilidades de forma justa. Que seja cúmplice e incentivador, apoiando sonhos pessoais e profissionais. Que seja porto seguro emocional, oferecendo escuta e acolhimento. Diante de tantas expectativas, não é de estranhar que alguns escolham não se candidatar a essa posição. O casamento evoluiu. Hoje, as pessoas pensam mais antes de tomar essa decisão, buscam independência e experiências individuais antes de se unirem a alguém e reconhecem novas formas de união. Isso mostra que a instituição se ampliou para refletir a diversidade da sociedade atual. Atualmente, a maioria de nós não adere mais a ideias ultrapassadas sobre o casamento, optando por uma escolha madura. As pessoas não se casam mais por obrigação, e sim por escolha. E essa escolha pede consciência, esforço e disposição para cultivar relações baseadas em respeito, amizade e igualdade. E você, já desenvolveu a sua própria ideia sobre o que significa essa mudança de status?
- Os problemas familiares afetam o futuro das crianças?
Entenda o que é uma Família Disfuncional e saiba quais são os seus impactos no desenvolvimento infantil. Enviado por: Jonatas Oliveira O ambiente familiar exerce papel central na formação emocional, social e psicológica dos indivíduos. Quando a estrutura familiar é permeada por padrões disfuncionais, o desenvolvimento das crianças pode ser gravemente comprometido. Quando falamos em “Família Disfuncional" lembramos dos contextos em que a convivência é marcada por comunicação inadequada, vínculos fragilizados, ausência de apoio emocional e práticas parentais prejudiciais. Essas configurações comprometem não apenas a segurança emocional, mas também a integridade psíquica dos seus membros. O que é uma Família Disfuncional? Uma família é considerada disfuncional quando falha em suprir as necessidades de seus membros, sejam elas físicas, emocionais ou cognitivas. Isso pode se manifestar através de abusos, conflitos constantes, dependência química, transtornos mentais não tratados, papéis familiares confusos, ausência de limites e regras claras, e uma estrutura familiar geralmente frágil. Crianças expostas a um ambiente tóxico, como uma família violenta ou abusiva, vivenciam um profundo desamparo psicológico e físico. Sentem-se incapazes de se autoproteger, oprimidas pela autoridade de cuidadores que as maltratam. Em Famílias Disfuncionais, observa-se frequentemente que a criança tende a obedecer sem questionar, mesmo quando as demandas lhe causam sofrimento. E com o tempo, esse padrão destrutivo pode se manifestar por meio da identificação com a hostilidade. Existem tipos de Famílias Disfuncionais: As famílias consideradas disfuncionais não são homogêneas, apresentando características diversas. A literatura especializada aponta para a existência de "tipos" bem definidos. Contudo, é comum que uma Família Disfuncional combine traços de diferentes tipos, resultando em um diagnóstico que abrange várias das categorias apresentadas: Alto nível de conflito: Discussões frequentes, gritos, hostilidade e, em alguns casos, violência física. Interações permeadas por tensão constante, impedindo o desenvolvimento de um ambiente seguro. Abusiva: Há práticas de violência física, psicológica, sexual ou emocional, nas quais um ou mais membros são sistematicamente feridos em sua integridade e dignidade. Negligente: Caracteriza-se pela omissão no cuidado com as necessidades básicas dos filhos, como alimentação, higiene, supervisão, atenção e afeto. Controladora: Os responsáveis exercem controle rígido e invasivo sobre as decisões e comportamentos dos filhos, comprometendo sua autonomia e desenvolvimento da identidade. Perfeccionista: Impõe padrões elevados de desempenho e comportamento, valorizando excessivamente a aparência e o sucesso. Os erros são punidos ou desvalorizados, gerando medo de falhar e insegurança. Emocionalmente distante: Há pouca ou nenhuma demonstração de afeto. Os vínculos são frios e formais, e a comunicação tende a ser superficial ou inexistente. Caótica: Ausência de rotina, regras e estabilidade. As funções parentais são mal definidas e há uma inversão de papéis, em que muitas vezes as crianças assumem responsabilidades que não lhes cabem. Invalidante: As experiências emocionais dos membros são constantemente desvalorizadas, negadas ou ridicularizadas, o que prejudica a autoconfiança e a capacidade de expressar sentimentos. Com dependência química: A presença de álcool, drogas ou vícios comportamentais compromete a estabilidade da rotina familiar, gerando imprevisibilidade, violência e insegurança emocional. Com transtornos mentais não tratados: Quando os pais ou cuidadores apresentam quadros psicopatológicos graves sem acompanhamento adequado, os filhos ficam expostos a dinâmicas instáveis e, por vezes, perigosas. As crianças sofrem: O desenvolvimento infantil em contextos disfuncionais está frequentemente associado a prejuízos duradouros. As crianças podem manifestar baixa autoestima e sentimentos crônicos de insegurança, dificuldades em estabelecer e manter vínculos afetivos saudáveis, sintomas de transtornos emocionais como ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, comprometimento no rendimento escolar e dificuldades cognitivas, distúrbios alimentares e do sono, maior vulnerabilidade ao uso de substâncias psicoativas, e comportamentos de evitação, agressividade ou isolamento. Esse é o dilema dos filhos que crescem em famílias disfuncionais. Com frequência, eles se veem obrigados a escolher entre sua própria percepção da realidade e a de seus pais. Ignorando o que seus próprios olhos e ouvidos lhes dizem, acabam por aceitar a visão de mundo imposta, como se fosse a única verdade. Em famílias gravemente adoecidas, há poucas trocas seguras e prazerosas de pensamentos entre os membros, limitando o tempo e a segurança emocional para que se possa sentir o peso das percepções antes de lhes atribuir algum significado. Nesse sentido, as crianças sofrem durante o seu desenvolvimento, e esse sofrimento, somado às demais camadas sociais nas quais serão inseridas, carrega consigo experiências traumáticas e dificuldades enfrentadas em diversas esferas, cuja repercussão tem dimensão incalculável. É possível mudar? A disfunção familiar, muitas vezes, não anula o afeto, mas tece padrões que ferem a convivência e impedem o florescimento individual. Reconhecer essas dinâmicas é o início do que podemos chamar de “cura”, o primeiro passo para romper o ciclo de dor que se perpetua por gerações. Na escuta terapêutica qualificada, em um espaço de acolhimento e compreensão, a dor não é negada, as experiências são ressignificadas e a autonomia pode ser resgatada. Afinal, nenhuma criança deveria jamais duvidar de seu valor, e nenhum ser humano merece carregar o peso de um ambiente sufocante. É crucial lembrar: seu controle se limita ao seu próprio comportamento. Este é o desafio central ao buscar mudanças no ambiente familiar. Se há em você a disposição para ajustar o curso, então o processo de mudança já foi iniciado.
- Inibição, Flexibilidade Cognitiva, Hiperfoco e o que isso tem a ver com Neurodivergência.
Essas funções podem apresentar particularidades que impactam o dia a dia. Enviado por: Jonatas Oliveira As funções executivas são um conjunto de habilidades cognitivas de alto nível que nos permitem planejar, organizar, iniciar e completar tarefas, além de regular nosso comportamento e emoções. Na Neurodivergência, como no Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e no Transtorno do Espectro Autista (TEA), essas funções podem apresentar particularidades que impactam o dia a dia. Vamos explorar três delas: Inibição, Flexibilidade Cognitiva e Hiperfoco. A Inibição funciona como o nosso “freio mental” A Inibição é a capacidade de controlar impulsos, pensamentos irrelevantes e comportamentos inadequados. Ela atua como um "freio mental", impedindo-nos de agir ou falar impulsivamente, de nos distrairmos facilmente ou de sermos dominados por pensamentos intrusivos. Quando temos dificuldades com a inibição, essas dificuldades podem aparecer de diferentes formas: Dificuldade em inibir impulsos: Pode manifestar-se como falar sem pensar, interromper os outros, dificuldade em esperar a vez, ou tomar decisões precipitadas. Dificuldade em inibir distrações: O ambiente externo (sons, movimentos) ou interno (pensamentos) pode ser avassalador, dificultando a concentração em uma tarefa específica. Dificuldade em inibir respostas: Em algumas situações, pode haver uma tendência a reagir de forma exagerada a estímulos, ou dificuldade em "desligar" de um estado emocional. É importante compreender quais são as dificuldades apresentadas nos diagnósticos clínicos de Neurodivergência e qual a intensidade delas para que o melhor tratamento seja apresentado. Daí a importância de uma boa avaliação psicológica e um bom acompanhamento. A Flexibilidade Cognitiva é a nossa capacidade de adaptação. A capacidade de se adaptar a novas situações, alternar entre tarefas, mudar de perspectiva e encontrar soluções criativas para problemas. É essa habilidade que nos permite superar obstáculos quando os planos não saem como esperado: Flexibilidade Cognitiva . Na Neurodivergência a Flexibilidade Cognitiva se torna um “desafio”. Dificuldade em mudar de tarefa: Uma vez engajado em uma atividade, pode ser difícil transitar para outra, mesmo que seja necessário. Rigidez de pensamento: Preferência por rotinas e estruturas bem definidas, com desconforto ou ansiedade diante de mudanças inesperadas. Dificuldade em ver múltiplas perspectivas: Pode haver uma tendência a se apegar a uma única forma de pensar ou resolver um problema, com dificuldade em considerar outros pontos de vista. Dificuldade em planejar e antecipar: A transição entre etapas de um planejamento pode ser desafiadora, especialmente se houver imprevistos. Tudo isso significa que o planejamento do dia, as formas de se relacionar com os outros e as necessidades pessoais podem se tornar muito específicas e qualquer alteração gera um sofrimento psicológico importante. Quando compreendemos a diferença entre “má educação” e crises, o manejo muda e a tendência é a melhora do quadro clínico. O Hiperfoco é como uma “super concentração”. Imagine que você está tão focado em algo que o mundo ao seu redor simplesmente desaparece. Você não ouve, não vê, não sente o tempo passar. É como se você entrasse numa bolha onde só existe você e aquilo que está fazendo. Isso é o Hiperfoco ! Na Neurodivergência é possível observar: Dificuldade em iniciar tarefas: Paradoxalmente, a mesma intensidade que permite o hiperfoco pode dificultar o início de tarefas que não são imediatamente interessantes. Dificuldade em "desligar" do hiperfoco: Quando é preciso parar uma atividade em que se está hiperfocado, pode haver resistência, frustração ou até mesmo desorganização. Negligência de outras necessidades: Durante o hiperfoco, necessidades básicas como comer, dormir ou interagir socialmente podem ser esquecidas. Concentração seletiva: A atenção pode ser direcionada de forma muito intensa para interesses específicos, tornando difícil focar em assuntos considerados menos estimulantes. Os sinais nem sempre são tão claros , mas nada que um olhar clínico não consiga enxergar. A vida da pessoa com um diagnóstico pode ser muito mais difícil quando o cuidado é negligenciado ou quando ela recebe um tratamento inadequado por não se ter clareza do que está realmente acontecendo. Também é importante notar que essas características não são exclusivas de pessoas neurodivergentes e que a intensidade e a frequência com que se manifestam podem ser significativamente diferentes. Compreender essas nuances é fundamental para oferecer suporte adequado, desenvolver estratégias de enfrentamento e promover um ambiente mais inclusivo e adaptado às necessidades individuais. Se você se percebe “diferente” pode ser importante avaliar os impactos disso no seu cotidiano e, com cuidado, tudo fica mais fácil.
- Como o ambiente social afeta a saúde mental.
Segundo o DSM-5-TR , existem situações em que o próprio ambiente social se torna um fator que afeta a saúde mental. Enviado por: Jonatas Oliveira Somos seres sociais, e a qualidade das nossas conexões influencia diretamente como pensamos, sentimos e nos comportamos. Quando o entorno é marcado por hostilidade, isolamento ou rejeição, a mente e o corpo sofrem. No entanto, nem sempre é fácil identificar o impacto dos fatores sociais na saúde mental. Muitas vezes, já estamos tão habituados a certas realidades que acabamos por normalizar ou naturalizar contextos disfuncionais. Alguns exemplos: Morar sozinho: pode ser sinal de independência, mas também fonte de solidão e risco de depressão e ansiedade. Adaptação cultural: imigração, mudança de cidade ou inserção em novos grupos sociais podem gerar estresse, preconceito, choque cultural e sentimento de exclusão. Exclusão social e rejeição: o bullying *, o ostracismo ** e a falta de pertencimento podem destruir autoestima e identidade, levando a ansiedade e depressão. Conflitos comunitários: brigas entre vizinhos, desentendimentos em grupos religiosos ou de convivência geram desgaste contínuo e minam o senso de apoio. Bullying * é uma violência intencional e repetitiva, com agressões físicas, verbais, psicológicas ou sociais. Caracteriza-se pelo desequilíbrio de poder entre agressor e vítima, causando sofrimento. Ostracismo ** descreve a exclusão social e o isolamento em diversos ambientes (trabalho, escola, família, amigos), com impactos psicológicos significativos. E, como observamos, aquilo que para uns é um problema, para outros é apenas uma situação corriqueira. Problemas no ambiente social não são um transtorno mental por si só. Eles são condições externas que influenciam o bem-estar emocional e podem aumentar a vulnerabilidade a doenças mentais. Como o ambiente social afeta a saúde mental? A relação entre ambiente social e saúde mental é uma via de mão dupla: Impacto negativo do ambiente: rejeição, isolamento e hostilidade podem ser gatilhos para depressão, ansiedade e estresse crônico. Impacto dos transtornos: quando já existe sofrimento psíquico, a pessoa pode evitar interações e se isolar, o que agrava ainda mais os sintomas. O que pode ajudar? Construir novas conexões: buscar grupos de hobbies, atividades voluntárias ou espaços terapêuticos pode oferecer suporte. Aprender a lidar com os impactos da rejeição: a terapia ajuda a elaborar a dor do não pertencimento e fortalece a resiliência. Apoio psicológico: psicólogos podem auxiliar na solidão, tristeza e ansiedade social. Adaptação cultural: grupos de apoio e orientação profissional favorecem a integração em novos contextos. O ser humano não foi feito para viver sozinho. A busca por conexões sociais saudáveis é essencial para fortalecer a mente e o coração. Cuidar do ambiente social em que vivemos é cuidar da nossa saúde mental. Se você está passando por uma situação-problema no contexto social que tem afetado a sua saúde mental, busque ajuda profissional.
- "Tenho medo de mim"
Você já sentiu que o maior vilão estava do lado de dentro? Enviado por: Jonatas Oliveira A gente costuma descrever a depressão como uma tristeza sem fim, um cansaço que consome a alma ou um silêncio que engole a gente. Mas tem uma coisa que muita gente não percebe: o medo. Um medo que não vem de fora, mas de dentro da gente. O medo de si. “Tenho medo do que posso fazer comigo” Essa frase mostra uma dor profunda, onde a pessoa não se sente mais segura dentro da própria mente. O corpo não serve mais de abrigo, os pensamentos viram uma ameaça e a cabeça fica cheia de "fantasmas". Mesmo que os livros falem que a depressão é mais sobre tristeza, desânimo, problemas para dormir, cansaço e culpa, na prática a gente vê que o medo é um companheiro constante e muitas vezes ninguém fala sobre ele. Medo de si. Medo dos outros. Medo do amanhã. Medo de sentir tudo de novo. Medo que o pouco bem-estar de hoje não dure. Medo do que está por vir, mesmo que não tenha nada concreto apontando para isso. A pessoa com depressão pode não estar só triste, ela pode estar em pânico e continuar em silêncio. Pode ficar irritada em vez de apática, com raiva em vez de chorar. Muitos casos de depressão aparecem como impaciência, tensão nos músculos, sensação de que algo ruim vai acontecer a qualquer hora e desconfiança de tudo. E esse medo guardado e nutrido, muitas vezes, passa batido, é confundido com “mau humor” ou “gênio difícil”. Na depressão há medo. O medo de perder o controle. O medo de agir por impulso contra si. O medo de machucar quem está por perto. O medo de não conseguir manter a imagem de que está tudo bem. E, no meio de tudo isso, está a sensação de que algo dentro de si ficou incontrolável, como se tivesse uma força interna que a qualquer momento pudesse “tomar o volante”. Esse tipo de sensação precisa de alguém pra escutar com atenção. Não é drama nem exagero, mas uma experiência real, que pode indicar que a situação é bem séria. A pessoa com depressão pode sorrir e, mesmo assim, estar desabando por dentro. Pode estar produzindo muito e, ao mesmo tempo, sendo consumida por um medo constante de falhar, de decepcionar, de não aguentar mais um dia. Ela pode dizer que está “bem”, e minutos depois mergulhar num monte de pensamentos sombrios dos quais não consegue sair. Essa gangorra, entre momentos que parecem normais e momentos de pavor por dentro, é exaustiva. E muitas vezes faz a pessoa se sentir ainda mais sozinha. Afinal, como explicar um medo que nem sempre tem uma razão lógica? Uma parte fundamental do tratamento da depressão é poder dar nome a esse medo. Poder dizer, com segurança e acolhimento: “Eu sinto isso”, sem o risco de ser desconsiderado ou chamado de fraco, ingrato ou exagerado. A terapia tem esse papel: abrir espaço para que o medo não precise virar impulsividade ou algo que adoece. Quando é escutado, o medo pode deixar de ser um monstro e virar um sinal e um pedido legítimo de cuidado, de atenção e de mudança. A gente precisa parar com a ideia de que depressão é só tristeza. Falar sobre isso é um ato de coragem. E poder reconhecer esse medo é o primeiro passo para resgatar algo fundamental: a confiança de que é possível se sentir em casa de novo, sem guerra, sem ameaça.
- Maternidade solitária e a importância da rede de apoio.
A busca por autonomia na maternidade solitária é um caminho para a liberdade? Enviado por: Amanda Claudino Em tempos de redes sociais, é perceptível a existência de perfis focados em dicas para facilitar a maternidade, apresentando estratégias para as mães lidarem sozinhas com problemas da vida familiar. À primeira vista, parece interessante. Conseguir fazer as coisas sozinha traz um senso de autonomia, de independência e a liberdade de escolher como e quando fazer o que precisa ser feito. Por outro lado, faz com que as mulheres aumentem ainda mais a carga de responsabilidades que possuem ao longo de suas vidas. Com o desejo de resolver um problema, acabam se colocando em uma situação de isolamento, fazendo tudo, quando poderiam ou deveriam dividir a carga de responsabilidades. A comunidade no cuidado com crianças: O cuidado com crianças deve ser responsabilidade de toda a família e, de acordo com os preceitos de saúde seguidos pelo SUS, esse cuidado é responsabilidade de toda a comunidade. Não é que você vai colocar seus vizinhos para vigiar o sono de seus filhos ou definir as regras da sua casa, mas o senso de responsabilidade comunitária pode fazer com que sua vizinha que leva o filho para a mesma escola reveze com você quem leva e quem busca as crianças, ou ainda que aquele vizinho que passa a tarde conversando na calçada lhe avise quando seu filho estiver fazendo “coisa errada” na rua. Ah, Amanda, mas eu não quero dar o direito de outras pessoas opinarem na minha vida! Entendo, mas às vezes tais opiniões trazem uma sabedoria que ainda não adquirimos. Então ouvir e filtrar se aceitamos ou não é o mínimo a se fazer. Ter essa compreensão de que o cuidado é algo mais amplo e que deve ser dividido, vai te ajudar a pedir ajuda quando precisar. Mesmo que seja ao pai que também já tem uma grande carga de outras responsabilidades, ou para sua irmã que tira 5 plantões semanais no trabalho. Caso a pessoa possa ajudar, ela vai aceitar. Caso não possa, ela nega. Mas quem precisa indicar o que consegue ou não é a rede de apoio (toda e qualquer pessoa que te dê algum suporte). Por que não pedimos ajuda? Supor que o outro está cansado e sobrecarregado é um dos fatores que mais percebo com recorrência no consultório para que as pessoas não peçam ajuda. E as mulheres sofrem uma grande pressão social para performar o papel de mãe heroína. Acontece que este discurso de força esconde uma lógica de funcionamento social que nos isola e nos faz repetir padrões de funcionamento sem questionar. Quantas vezes você ouviu alguém dizer: “Ah, mas Fulana trabalha, cuida da casa e educou muito bem os filhos”. Ou então: “Minha mãe foi mãe e pai e estou muito bem hoje”. Esse tipo de discurso nos faz pensar que se a gente não consegue, a culpa é nossa. Então não paramos para pensar o porquê dessas mulheres precisarem ter sofrido tanto. Poderia ter sido mais fácil. Poderia ter sido mais tranquilo. Tem como criar bem os filhos num ambiente tranquilo e acolhedor, sem grandes aperreios e sem mãe a ponto de surtar. Para pensar… Quero compartilhar com vocês alguns pontos de reflexão que eu sempre levanto em consultório às mães cansadas que se culpam por não serem as heroínas idolatradas do passado: O que você ganha fazendo tudo sozinha? Pense em algo que seja ganho pessoal e para seu filho. O que você está ensinando ao seu filho se sacrificando desta forma? Quem está se beneficiando do seu sacrifício? Já que você resolve tudo, alguém está conseguindo descansar e fazer outras coisas da vida com o tempo livre que você proporcionou. O que você está deixando de fazer por si, para carregar tudo isso sozinha? Essa pergunta geralmente vem acompanhada da caixinha de lenço, pois geralmente a supermãe não está nada bem consigo mesma. E por último: faça as contas e veja se o sacrifício vale . Estar constantemente cansada para que outros descansem, está te fazendo alcançar algum objetivo a curto ou a longo prazo? Na psicoterapia, a maternidade é acolhida em sua complexidade. O trabalho do terapeuta se inicia com essas reflexões, mas precisa se aprofundar para planejamento de ações e estratégias que se encaixariam na realidade de cada uma dessas mães, ajudando a reduzir a sobrecarga da maternidade e promover bem-estar para ela e seus filhos. Sabemos que o bem-estar de mães e cuidadores de crianças depende muito do bem-estar da criança, mas ambos precisam ser priorizados, pois um cuidador cansado não promove um bom cuidado.
- Como os problemas financeiros afetam a saúde mental?
É essencial compreender os "problemas financeiros/econômicos" para avaliar o impacto das finanças na saúde mental. Enviado por: Jonatas Oliveira No DSM-5-TR , existe uma categoria específica para registrar quando os problemas econômicos afetam a vida de uma pessoa a ponto de se tornarem relevantes no tratamento ou no prognóstico em saúde mental. Essas dificuldades incluem desde a falta de alimentação adequada ( insegurança alimentar ) e de água potável, até situações de pobreza extrema, baixa renda, ausência de benefícios sociais, dificuldades com seguro de saúde ou previdência insuficiente. Exemplos comuns são as pessoas que não conseguem acessar auxílios governamentais por falta de documentos e as famílias que, mesmo recebendo benefícios, não conseguem suprir necessidades básicas. A falta de recursos cria ou agrava condições clínicas? A falta de recursos financeiros ou os problemas com a escassez não são apenas da ordem dos números. Eles têm consequências diretas na saúde mental e no bem-estar emocional. Pobreza extrema ou baixa renda: mais do que a falta de dinheiro, significa ausência de acesso à moradia, saúde, educação e segurança. Essa condição gera estresse crônico , prejudica a autoestima e limita as oportunidades de futuro. Falta de alimentos ou água potável: a insegurança alimentar causa ansiedade e preocupação constantes. Em crianças, a desnutrição pode comprometer o desenvolvimento cerebral. Dívidas e risco de falência: além da pressão financeira, surgem sentimentos de vergonha, fracasso e desespero. Muitas vezes, há associação com depressão e transtornos ansiosos . Insegurança financeira: mesmo pessoas de classes sociais mais altas podem sofrer com o medo de perder o emprego ou de não manter o padrão de vida, o que também gera estresse contínuo. A ligação entre finanças e saúde mental é uma via de mão dupla: a falta de recursos pode desencadear sofrimento psíquico, e o sofrimento psíquico, por sua vez, pode dificultar a organização financeira e a capacidade de buscar alternativas. Perceba que lidar com uma situação de escassez ou de problemas com finanças pode sim comprometer a saúde de modo geral: Estresse crônico : níveis elevados de cortisol, prejudicando corpo e mente; Depressão e ansiedade : sensação de desesperança e medo constante do futuro; Baixa autoestima : associar valor pessoal à condição financeira; Conflitos familiares e conjugais : problemas econômicos são uma das maiores causas de brigas em relacionamentos. O que fazer? Embora a solução nem sempre esteja ao alcance imediato, existem caminhos para aliviar o impacto emocional: Acesso a recursos sociais: buscar programas de apoio e políticas públicas disponíveis. Aconselhamento financeiro: planejar dívidas e reorganizar gastos com ajuda especializada. Terapia psicológica: trabalhar os efeitos emocionais da insegurança financeira. Rede de apoio social: manter vínculos familiares e de amizade para reduzir a sensação de isolamento. Aqueles que vivenciam dificuldades financeiras podem não conseguir discernir uma solução. Portanto, é crucial que quem percebe um descontrole financeiro, comportamento impulsivo com gastos, dilapidação de bens ou situações de vulnerabilidade em pessoas próximas, indique os caminhos para superar esse momento delicado. Importante! Ter dificuldades financeiras não significa, por si só, ter um transtorno mental. Entretanto, essas dificuldades podem aumentar muito o risco de desenvolver ansiedade, depressão ou outros quadros clínicos. Os problemas financeiros/econômicos podem influenciar o cuidado clínico . Cabe ao psicólogo ou psiquiatra avaliar se a situação financeira está impactando diretamente a saúde mental do indivíduo e registrar isso em prontuário para guiar o tratamento. Problemas econômicos, financeiros e de escassez não são apenas questões práticas: eles afetam a dignidade, a esperança e a saúde mental . Reconhecer esse impacto é o primeiro passo para buscar ajuda. Se você ou alguém próximo enfrenta essa realidade, saiba que não se trata de fraqueza pessoal, mas de uma condição que merece cuidado e acolhimento profissional.
- Assistência psicológica durante a gestação
Você já ouviu falar em pré-natal psicológico? Enviado por: Amanda Claudino A gestação é um período de grandes mudanças no corpo de quem gesta, iniciando com oscilações hormonais que desencadeiam mudanças tais como: maior sensibilidade nas mamas, aumento de mamas, aumento de peso, retenção de líquidos e grande cansaço (pelo constante e exaustivo trabalho de construir e manter as funções de outro corpo). Algumas pessoas podem apresentar náuseas ou desejos por comidas não convencionais. Muitas enfrentam oscilações de humor. Tudo isso é normal do processo de gestar, mas nem sempre temos conhecimento sobre isso, nem apoio para lidar com tais questões. Para a manutenção da saúde física da gestante e do bebê, temos o acompanhamento pré-natal estabelecido como direito na Constituição Federal de 1988 e em 2023, a Lei 14.721 que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente e garante assistência psicológica pelo SUS durante a gestação, no parto e no pós-parto. Mas do que se trata o Pré-Natal Psicológico? Pela lei mencionada, a assistência psicológica à gestante deve “desenvolver atividades de educação, de conscientização e de esclarecimentos a respeito da saúde mental da mulher no período da gravidez e do puerpério”. E quais são as condições de saúde mental mais comuns na gestação? As oscilações de humor causadas pelas mudanças hormonais, mudanças no corpo e as demandas de vida que surgem ao longo da gestação trazem sensação de insegurança, medos e gera muita ansiedade nas mulheres. Esta situação pode desencadear picos de ansiedade, humor depressivo e em caso de gestantes que já possuem predisposição a algum transtorno psicológico, a gestação é um momento de vida que pode desencadear tais condições. Como a educação em saúde pode ajudar às gestantes? Saber quais sintomas e sentimentos estão relacionados a algum transtorno pode ajudar a entender se o que a pessoa está sentindo está dentro do esperado para o momento de vida, ou se já se caracteriza como transtorno mental. Um exemplo é que muitas mulheres acham que ficar triste e com humor deprimido após a gestação é errado e sofrem em silêncio, com medo do julgamento. No entanto, de 10 a 16% das mulheres podem apresentar sintomas de Depressão Pós-Parto , situação que pode se prolongar muitos anos após o parto, caso não exista nenhum tipo de tratamento. Que outros temas podem ser tratados no Pré-Natal Psicológico? Em geral, trabalhamos questões relacionadas às expectativas em relação ao bebê que está a caminho: Os sentimentos relacionados à gestação Mitos e idealizações acerca da maternidade e da paternidade Aspectos relacionados à auto-imagem e mudanças corporais Medos relacionados à gestação Rede apoio Direitos relacionados à gestação Tipos de parto Planejamento do parto Possíveis intercorrências da gestação Violência obstétrica Mitos relacionados à maternidade Visão social da maternidade Amamentação Transtornos emocionais durante a gestação e no pós-parto Questões relacionadas ao trabalho Paternidade, avosidade, etc. Estes são alguns dos temas que podem ser trabalhados de forma individual e em grupo, mas dependendo das demandas de cada gestante, o profissional de saúde mental pode tratar de outros temas mais específicos, tais como a perda gestacional, divórcio, organização financeira, entre outros. A ideia é que sejam trabalhados temas que preparem gestantes e rede de apoio para as dificuldades que eles já estão enfrentando e que percebem que estão por vir. E o Pré-Natal para os pais, existe? Sim! A Política Nacional de Saúde do Homem orienta que os profissionais da saúde incluam os pais nos cuidados pré-natais, que incentive que eles acompanhem a realização de exames, que sejam os acompanhantes durante o parto, que sejam orientados em relação aos riscos da gestação, do vínculo e dos cuidados com o bebê, da divisão de tarefas com a mãe, com o autocuidado em saúde, seus direitos e deveres enquanto responsável pela criança, entre outros. Além disso, existe a Lei Federal nº 11.770/2008 que amplia a licença parternidade em 15 dias além dos 5 dias obrigatórios, e ter este tempo a mais é primordial para vinculação com a criança e para dar suporte à mãe. Enfim, é perceptível que o fazer o pré-natal psicológico traz muito mais segurança para gestantes e familiares, tornando este momento de vida mais tranquilo e diminuindo os riscos de intercorrências durante a gestação. Se tiver alguma dúvida sobre o tema, procure um profissional da psicologia qualificado e/ou verifique se já existem grupos de pré-natal psicológico na sua região.
- Reabilitação Neurocognitiva
O que é reabilitação neurocognitiva e por que ela é tão importante? Enviado por: Lorena Pessoa O diagnóstico de um transtorno neurocognitivo costuma vir acompanhado de muitas dúvidas e medos: “É possível recuperar o que foi perdido?” “A doença vai parar de avançar?” “Existe algo que possa ajudar além dos remédios?” Embora ainda não haja cura para a maioria dessas condições, a reabilitação neurocognitiva é uma intervenção cientificamente embasada que oferece benefícios reais para quem convive com declínio cognitivo — seja leve ou mais avançado. O que é, exatamente, reabilitação neurocognitiva? De forma geral, trata-se de um conjunto de técnicas e estratégias, planejadas individualmente, com o objetivo de: Estimular e fortalecer as funções cognitivas que ainda estão preservadas; Treinar e recuperar habilidades que estão parcialmente comprometidas; Ensinar o paciente a usar estratégias compensatórias para lidar com as dificuldades no dia a dia. Essa intervenção não é apenas “fazer exercícios de memória”. É um trabalho clínico estruturado, realizado por psicólogos especializados (e, em alguns casos, junto de outros profissionais), que leva em conta: O quadro clínico e tipo de transtorno neurocognitivo; O grau de comprometimento cognitivo; As necessidades, hábitos, rotina e preferências do paciente; O contexto familiar e social em que está inserido. Quais funções podem ser estimuladas? Atenção e concentração; Funções executivas (planejar, organizar, resolver problemas); Linguagem e comunicação; Orientação espacial e temporal. Tudo isso é feito por meio de atividades estruturadas, jogos terapêuticos, exercícios escritos, uso de tecnologias e, principalmente, adaptação de tarefas do cotidiano para que sejam mais acessíveis. Por que falar em “reabilitação” se não há cura? Porque mesmo que a doença continue avançando, a intervenção pode: Ajudar a manter a autonomia pelo maior tempo possível; Retardar o impacto funcional do declínio cognitivo; Melhorar a autoestima, segurança e qualidade de vida; Diminuir sintomas emocionais, como ansiedade e depressão; Facilitar a rotina da família e cuidadores. Ou seja, trata-se de cuidar da pessoa, não apenas do sintoma, oferecendo mais dignidade e bem-estar no dia a dia. E o papel da psicoterapia? Muitos idosos enfrentam medo, tristeza ou revolta ao perceberem as próprias limitações cognitivas. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) pode ajudar no processo de aceitação, no manejo de emoções difíceis, na redução de pensamentos negativos automáticos e no estímulo de hábitos que favorecem saúde mental e funcionalidade. A reabilitação neurocognitiva vai além de treinar a memória: ela olha para a pessoa de forma integral, considerando cérebro, emoções, ambiente e relações. É uma intervenção baseada em ciência e construída com sensibilidade, que busca oferecer mais autonomia, qualidade de vida e esperança, mesmo diante de um diagnóstico que, por si só, costuma trazer medo e insegurança.
- O mundo antes e depois da Psicologia
A psicoterapia tornou-se um tópico comum nas conversas entre amigos, frequentemente recomendada como uma necessidade universal. Mas essa percepção nem sempre existiu. Enviado por: Jonatas Oliveira A forma como a humanidade compreendeu a saúde mental mudou radicalmente ao longo dos séculos. Antes da consolidação da psicologia como ciência, os estados de sofrimento psíquico eram interpretados sob o prisma dos mitos, da religião ou da moralidade. A “loucura” era vista como castigo divino, possessão demoníaca ou falha moral, e quem a apresentava, muitas vezes, era marginalizado e submetido a tratamentos que variavam da superstição à violência. Antigamente… Antigamente, havia uma mistura de Mitologia com Religião para tratar das questões de Saúde Mental. Na Grécia Antiga, acreditava-se que distúrbios mentais resultavam da ira dos deuses ou de forças espirituais. O comportamento fora do comum era associado à possessão ou à influência divina, reforçando explicações sobrenaturais. Depois disso, surgiu a mistura da Filosofia e Moralidade para dar conta do que não sabíamos explicar e não conseguíamos “conter”. Com o avanço da filosofia, emergiu a concepção de que a loucura poderia ser entendida como desvio social ou moral. Essa perspectiva justificava a segregação daqueles que não se ajustavam às normas vigentes. A loucura no passado As primeiras instituições destinadas a internar pessoas consideradas “loucas” não tinham a cura como objetivo, mas a retirada do convívio social. E os métodos aplicados refletiam a incompreensão da complexidade psíquica: duchas frias, sangrias, máquinas giratórias e até chicotadas eram usados como “terapia”. Acontecia também o isolamento em instituições asilares que reforçava a exclusão, afastando o indivíduo de sua família e da sociedade, sem um plano terapêutico estruturado. A ciência Muito antigamente, Hipócrates já havia proposto que o sofrimento psíquico não era obra dos deuses, mas que se tratava de um fenômeno natural com origem no cérebro. Essa visão pioneira abriu espaço para abordagens mais racionais. E, avançando no tempo, com o avanço da medicina, se incentivou o estudo sistemático dos sintomas, tratando os transtornos mentais como distúrbios cerebrais e inaugurando uma etapa de cientificidade na compreensão da mente. Hoje Hoje, a psicologia se encontra em um ponto de convergência entre tradições consolidadas e novas tecnologias. A prática clínica se expande para o ambiente digital, ao mesmo tempo em que dialoga com pesquisas em neurociência, farmacologia e inteligência artificial. Já há oferta de tratamento online, que se tornou uma alternativa acessível, especialmente em sistemas públicos, ampliando o alcance do atendimento psicológico; avançamos em pesquisas com psicodélicos, realizadas sob rigor ético e supervisão profissional, que mostram resultados promissores; e descobrimos e usamos ferramentas de IA, que começam a ser integradas às pesquisas e à prática clínica, exigindo que psicólogos desenvolvam uma relação crítica e ética com essas tecnologias. Também nos comprometemos com a justiça social, defendendo políticas que ampliem o acesso aos cuidados em saúde mental e combatam desigualdades estruturais. O nosso foco Mais do que tratar sintomas, a psicologia de hoje se volta para a prevenção, promovendo práticas de autocuidado e fortalecimento emocional. Se antes a saúde mental era território de mitos e punições, hoje é campo de ciência, cuidado e promoção de bem-estar. A psicologia não apenas acompanha as transformações sociais e tecnológicas, mas também assume o compromisso de humanizar o futuro, integrando prevenção, ciência e ética em prol de uma vida mais saudável e significativa. Em um mundo em constante transformação, onde somos simultaneamente agentes e receptores de mudanças, a psicologia se destaca por seu papel crucial. Ela oferece um olhar científico sobre a nossa humanidade, sem desconsiderar as particularidades e necessidades individuais que nos tornam únicos.
- Entendendo as diferenças entre Neurodivergências e Ansiedade e Depressão
É possível viver bem quando recebemos diagnósticos no contexto da saúde mental ou do funcionamento cerebral? Enviado por: Jonatas Oliveira A saúde mental é um campo vasto que abrange muitas coisas que afetam como a gente pensa, sente e se comporta. É importante saber a diferença entre o que chamamos de "neurodivergências" e as "condições de saúde mental", porque isso muda como a gente entende e lida com cada uma. O nosso cérebro e suas diversas formas de funcionar: O termo "neurodivergência" fala sobre as variações naturais na forma como o cérebro funciona. Geralmente, elas já estão presentes desde a infância. Essas variações não são doenças ou falhas, mas sim jeitos diferentes de ver, processar e interagir com o mundo. As principais condições neurodivergentes são: Transtorno do Espectro Autista (TEA): Pessoas com TEA se comunicam e se relacionam de um jeito diferente, e podem ter comportamentos repetitivos ou interesses bem específicos. O autismo é uma condição do desenvolvimento neurológico que se manifesta de várias formas, com diferentes níveis de intensidade e necessidade de apoio. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH): Caracteriza-se por dificuldade de atenção, impulsividade e, em muitos casos, muita agitação. Isso pode impactar bastante a vida na escola, no trabalho e nas relações sociais. Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD): São pessoas que se destacam muito em áreas como inteligência, criatividade ou habilidades motoras. Embora geralmente associada a um grande potencial, a superdotação pode vir junto com dificuldades emocionais ou **problemas de aprendizagem. **Esses Transtornos de Aprendizagem incluem condições como: Dislexia, que é a dificuldade para ler e entender textos fluentemente. Disgrafia, que é a dificuldade para escrever, letra ilegível, lentidão, erros de ortografia e textos desorganizados. Discalculia, que é a grande dificuldade para entender números, fazer contas e raciocinar matematicamente. Dislalia, que é a dificuldade para falar e processar a linguagem oral, como trocar sons, falar de forma imprecisa e ter um vocabulário reduzido. Transtornos de Personalidade com Aspectos Neurodivergentes: Embora transtornos de personalidade, como o Transtorno de Personalidade Limítrofe (TPL) e o Narcisista (TPN), sejam vistos como problemas psicológicos estruturais, alguns estudos indicam que eles podem ter ligações com o funcionamento cerebral, especialmente no que diz respeito ao controle das emoções, impulsividade e como a pessoa se relaciona com os outros. Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC): Mesmo sendo classificado como um transtorno de ansiedade, há um debate crescente sobre se o TOC pode ser considerado parte do espectro neurodivergente, devido à rigidez de pensamento, padrões repetitivos e dificuldades de funções executivas envolvidas. A nossa mente com Ansiedade e Depressão Ansiedade e depressão são condições clínicas diferentes, que não são causadas por alterações na formação do cérebro, mas sim por desequilíbrios emocionais e químicos. Ambas causam um sofrimento psíquico grande e precisam de ajuda especializada. Ansiedade: Inclui transtornos como a Ansiedade Generalizada (TAG), fobias, síndrome do pânico e ansiedade social. Caracteriza-se por preocupação excessiva, pensar sempre no pior e sintomas físicos de agitação. Depressão: Envolve tristeza profunda, perda de interesse em coisas que antes davam prazer, cansaço, alterações no sono e apetite, sentimentos de inutilidade e, em casos graves, pensamentos suicidas. Quais são as diferenças entre Neurodivergências e Ansiedade e Depressão? A principal diferença está na origem e na natureza dessas condições: Neurodivergência: Vem de jeitos diferentes que o cérebro se desenvolveu. Não é uma doença em si, mas um modo diferente de funcionar a nível cognitivo, social e comportamental. Ansiedade e Depressão: São estados de sofrimento emocional e desorganização, muitas vezes causados por fatores psicológicos, sociais, ambientais ou químicos. Como conviver com um diagnóstico? Mesmo sendo diferentes, essas categorias muitas vezes andam juntas. Pessoas neurodivergentes têm mais chances de desenvolver transtornos como ansiedade e depressão, seja pela dificuldade de se adaptar a ambientes pouco inclusivos, pela experiência de serem rejeitadas socialmente ou pelo esforço constante para esconder seus sintomas. Por sua vez, a experiência de quem vive com Ansiedade e/ou Depressão pode ter aspectos parecidos com as vivências neurodivergentes: sensação de não se encaixar, dificuldade para controlar as emoções e desafios na comunicação O que podemos fazer? Entender a diferença entre Neurodivergência e Ansiedade e Depressão é fundamental para evitar diagnósticos errados, oferecer o tratamento certo e diminuir o preconceito. Ambas as experiências precisam de escuta atenta, apoio com empatia e um cuidado clínico que respeite a individualidade de cada um. Em vez de rotular, o mais importante é acolher. Nenhuma condição define completamente uma pessoa, e todas as formas de funcionamento merecem ser compreendidas com respeito, ciência e humanidade. A psicoterapia pode ser o caminho para você que busca entender e desenvolver formas de lidar com comportamentos que geram estranhamento. Não é preciso enfrentar isso sozinho. Existe um lugar de acolhimento para promoção do seu bem-estar. Você é importante. E a sua saúde mental importa!
- Quando o cérebro começa a falhar
Transtornos neurocognitivos: quando o cérebro começa a falhar - e o que isso significa na prática. Enviado por: Lorena Pessoa O envelhecimento faz parte do ciclo natural da vida e pequenas falhas de memória são comuns conforme os anos passam. Mas, em alguns casos, as alterações cognitivas deixam de ser “normais” e passam a ser sinais de algo mais sério: os transtornos neurocognitivos. Essas condições são caracterizadas por um declínio progressivo de funções mentais complexas, como memória, atenção, linguagem, percepção, raciocínio e capacidade de planejar ou organizar tarefas e que acabam impactando diretamente a autonomia, o humor e a qualidade de vida. Como são classificados? De acordo com o DSM‑5‑TR (2022), manual diagnóstico usado por profissionais da saúde mental, os transtornos neurocognitivos são divididos em três categorias principais: Delirium É um quadro agudo e geralmente reversível, marcado por desorientação, alteração da atenção, confusão mental e flutuação dos sintomas ao longo do dia. Costuma ser causado por infecções, uso de medicamentos ou alterações metabólicas, especialmente em pessoas mais idosas. Transtorno Neurocognitivo Maior Corresponde ao que popularmente conhecemos como "demência". O declínio cognitivo é significativo e interfere de forma importante na independência para atividades básicas do dia a dia, como se vestir, cozinhar, administrar as finanças ou se locomover sozinho. Transtorno Neurocognitivo Leve É um estágio mais inicial. Existe um declínio cognitivo mensurável, percebido pela própria pessoa ou por pessoas próximas, mas ainda não compromete de forma grave a autonomia funcional. Mesmo assim, pode trazer sofrimento, insegurança e mudanças emocionais. Principais causas ou tipos (etiologias). O DSM‑5‑TR O DSM‑5‑TR orienta especificar a causa quando possível. Alguns exemplos mais conhecidos: Doença de Alzheimer (a mais comum) Demência vascular (relacionada a AVCs ou problemas circulatórios) Demência frontotemporal (afeta mais comportamento, personalidade e linguagem) Demência com corpos de Lewy (pode causar sintomas motores e alucinações visuais) Demências associadas a doença de Parkinson, Huntington, HIV, traumatismo cranioencefálico, doença de Príon, entre outras. Cada uma dessas condições tem particularidades, mas todas compartilham o fato de comprometer funções cognitivas importantes. Quais funções podem ser afetadas? Os transtornos neurocognitivos podem comprometer diferentes áreas do funcionamento mental. Entre as mais afetadas, podemos destacar: Memória : dificuldade para reter novas informações ou lembrar fatos recentes. Atenção : distração fácil, dificuldade de se concentrar. Funções executivas : planejar, organizar, resolver problemas, tomar decisões. Linguagem : dificuldade para encontrar palavras, compreender frases ou se expressar. Percepção visual e espacial : problemas para reconhecer objetos, rostos ou perceber distâncias. Comportamento e regulação emocional : irritabilidade, apatia, agitação ou até alterações mais graves da personalidade. Impacto que vai além do cérebro O comprometimento cognitivo não afeta só a memória: ele repercute no humor, na autoestima, na convivência social e até na relação da pessoa com a própria identidade. Muitas vezes, junto ao declínio cognitivo, surgem sintomas de ansiedade, depressão, medo de se expor ou vergonha de cometer erros, o que pode levar ao isolamento social e sofrimento emocional importante. Existe tratamento? É importante esclarecer: para a maioria dos transtornos neurocognitivos degenerativos, a medicina ainda não encontrou cura definitiva. Mas isso não significa que nada possa ser feito! Com intervenções adequadas, é possível: Estimular as funções preservadas Ensinar estratégias para compensar dificuldades Ajudar o idoso (e a família) a lidar melhor com as mudanças Reduzir sofrimento emocional e comportamental A reabilitação neurocognitiva, associada ao acompanhamento psicológico (como a Terapia Cognitivo-Comportamental - TCC), pode trazer benefícios concretos para a autonomia e qualidade de vida. Cuidar vai muito além da memória Cuidar de um idoso com transtorno neurocognitivo não significa apenas aplicar exercícios de memória ou manter medicações em dia. Significa olhar para a pessoa como um todo: acolher suas emoções, respeitar sua história, valorizar sua autonomia e oferecer dignidade mesmo diante das limitações que surgem. Essa é a base de um trabalho humanizado, científico e feito com afeto.











