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  • Foto do escritor: Jonatas Oliveira
    Jonatas Oliveira
  • 5 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

É essencial compreender os "problemas financeiros/econômicos" para avaliar o impacto das finanças na saúde mental.

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No DSM-5-TR, existe uma categoria específica para registrar quando os problemas econômicos afetam a vida de uma pessoa a ponto de se tornarem relevantes no tratamento ou no prognóstico em saúde mental.


Essas dificuldades incluem desde a falta de alimentação adequada (insegurança alimentar) e de água potável, até situações de pobreza extrema, baixa renda, ausência de benefícios sociais, dificuldades com seguro de saúde ou previdência insuficiente.


Exemplos comuns são as pessoas que não conseguem acessar auxílios governamentais por falta de documentos e as famílias que, mesmo recebendo benefícios, não conseguem suprir necessidades básicas. 


A falta de recursos cria ou agrava condições clínicas?


Escassez

A falta de recursos financeiros ou os problemas com a escassez não são apenas da ordem dos números. Eles têm consequências diretas na saúde mental e no bem-estar emocional.


Pobreza extrema ou baixa renda: mais do que a falta de dinheiro, significa ausência de acesso à moradia, saúde, educação e segurança. Essa condição gera estresse crônico, prejudica a autoestima e limita as oportunidades de futuro.


Falta de alimentos ou água potável: a insegurança alimentar causa ansiedade e preocupação constantes. Em crianças, a desnutrição pode comprometer o desenvolvimento cerebral.


Dívidas e risco de falência: além da pressão financeira, surgem sentimentos de vergonha, fracasso e desespero. Muitas vezes, há associação com depressão e transtornos ansiosos.


Insegurança financeira: mesmo pessoas de classes sociais mais altas podem sofrer com o medo de perder o emprego ou de não manter o padrão de vida, o que também gera estresse contínuo.


A ligação entre finanças e saúde mental é uma via de mão dupla: a falta de recursos pode desencadear sofrimento psíquico, e o sofrimento psíquico, por sua vez, pode dificultar a organização financeira e a capacidade de buscar alternativas.


Dívidas

Perceba que lidar com uma situação de escassez ou de problemas com finanças pode sim comprometer a saúde de modo geral:


  • Estresse crônico: níveis elevados de cortisol, prejudicando corpo e mente;

  • Depressão e ansiedade: sensação de desesperança e medo constante do futuro;

  • Baixa autoestima: associar valor pessoal à condição financeira;

  • Conflitos familiares e conjugais: problemas econômicos são uma das maiores causas de brigas em relacionamentos.


O que fazer?


Embora a solução nem sempre esteja ao alcance imediato, existem caminhos para aliviar o impacto emocional:


  • Acesso a recursos sociais: buscar programas de apoio e políticas públicas disponíveis.

  • Aconselhamento financeiro: planejar dívidas e reorganizar gastos com ajuda especializada.

  • Terapia psicológica: trabalhar os efeitos emocionais da insegurança financeira.

  • Rede de apoio social: manter vínculos familiares e de amizade para reduzir a sensação de isolamento.


Aqueles que vivenciam dificuldades financeiras podem não conseguir discernir uma solução. Portanto, é crucial que quem percebe um descontrole financeiro, comportamento impulsivo com gastos, dilapidação de bens ou situações de vulnerabilidade em pessoas próximas, indique os caminhos para superar esse momento delicado.


Preocupação

Importante!


Ter dificuldades financeiras não significa, por si só, ter um transtorno mental. Entretanto, essas dificuldades podem aumentar muito o risco de desenvolver ansiedade, depressão ou outros quadros clínicos.


Os problemas financeiros/econômicos podem influenciar o cuidado clínico. Cabe ao psicólogo ou psiquiatra avaliar se a situação financeira está impactando diretamente a saúde mental do indivíduo e registrar isso em prontuário para guiar o tratamento.


Problemas econômicos, financeiros e de escassez não são apenas questões práticas: eles afetam a dignidade, a esperança e a saúde mental. Reconhecer esse impacto é o primeiro passo para buscar ajuda.


Se você ou alguém próximo enfrenta essa realidade, saiba que não se trata de fraqueza pessoal, mas de uma condição que merece cuidado e acolhimento profissional.


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