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Por que evitar emoções pode aumentar o sofrimento?

  • Foto do escritor: Lorena Pessoa
    Lorena Pessoa
  • 26 de fev.
  • 3 min de leitura

Aceitação não é gostar do que dói.


Existe uma ideia muito difundida de que aceitar algo significa concordar, gostar ou ficar em paz imediatamente com o que aconteceu. Na prática clínica, isso gera muita confusão — e bastante sofrimento desnecessário.


Quando falamos em aceitação dentro das terapias baseadas em evidências, não estamos falando de resignação passiva nem de “positividade forçada”. Estamos falando de algo mais sutil e, ao mesmo tempo, mais poderoso: disposição para entrar em contato com a própria experiência emocional.


Ninguém gosta de vivenciar a morte de uma pessoa querida, uma rejeição, uma frustração importante ou um momento de ansiedade intensa. E tudo bem que seja assim.


Emoções desagradáveis fazem parte do funcionamento humano saudável.


Emoção


O custo da evitação emocional


Muitas pessoas aprendem, ao longo da vida, que emoções difíceis devem ser evitadas, controladas ou eliminadas o mais rápido possível. Isso pode aparecer de várias formas:


  • Tentar se distrair o tempo todo para não entrar em contato com o que sente;

  • Buscar apenas pensamentos positivos para “anular” a dor;

  • Evitar situações que possam gerar desconforto emocional;

  • Criticar a si mesmo por estar triste, ansioso ou frustrado;


Embora essas estratégias possam trazer alívio no curto prazo, a literatura psicológica mostra de forma consistente que a evitação experiencial tende a manter ou até intensificar o sofrimento ao longo do tempo.


Isso acontece porque emoções não processadas costumam retornar — muitas vezes com mais intensidade — além de reduzir a flexibilidade comportamental da pessoa.


Aceitação como disposição:


Por isso, em vez de pensar aceitação como “gostar do que aconteceu”, uma formulação mais precisa é entendê-la como disposição.


Aceitar, nesse contexto, é:


  • Reconhecer o que está sentindo;

  • Nomear a emoção presente;

  • Permitir que a experiência exista sem uma luta imediata para eliminá-la;

  • Manter-se engajado na vida apesar do desconforto.


É importante destacar: aceitar não é se afundar na dor nem desistir de mudar o que pode ser mudado. Aceitação e mudança não são opostas — elas frequentemente caminham juntas.


Quando a pessoa para de gastar tanta energia lutando contra a própria experiência interna, sobra mais recurso psicológico para agir de forma efetiva no mundo.


Emoção

Emoções difíceis fazem parte da natureza humana


Sentir tristeza diante de uma perda, ansiedade diante de algo importante ou frustração após um fracasso não é sinal de fraqueza — é sinal de que o sistema emocional está funcionando.


A proposta terapêutica não é eliminar o sofrimento humano (o que seria impossível), mas reduzir o sofrimento desnecessário criado pela luta interna constante.


Em outras palavras: não se trata de não sofrer, e sim de sofrer com menos rigidez, menos autocrítica e mais flexibilidade psicológica.


Caminhos práticos para começar


Algumas perguntas simples podem ajudar a desenvolver mais abertura emocional no dia a dia:


O que exatamente estou sentindo agora?

Onde percebo isso no meu corpo?

Se essa emoção pudesse falar, o que ela diria?

O que eu preciso neste momento para cuidar de mim de forma saudável?


Essas perguntas não eliminam a dor imediatamente — mas frequentemente mudam a relação que a pessoa tem com ela. E essa mudança de relação já é, por si só, profundamente terapêutica.


Para levar com você:


Você não precisa gostar do que dói.

Você não precisa se forçar a estar bem o tempo todo.


Mas desenvolver disposição para sentir — com gentileza e consciência — costuma ser um dos caminhos mais consistentes para uma vida emocional mais saudável e flexível.


Agende a sua sessão. Entre em contato.


Cuide-se bem.


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