As faces da ansiedade.
- Jonatas Oliveira
- 16 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Como reconhecer a ansiedade patológica?
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Quando falamos de ansiedade, é importante lembrar que ela é humana, fundamental e normal. A ansiedade funciona como um sistema de alerta para nós, ao preparar o nosso organismo para lidar com desafios ou situações de risco.
A ansiedade só se torna um problema quando surge como um transtorno, o que significa uma resposta desproporcional ao contexto. Isto é, a ansiedade surgindo de modo excessivo, intenso, frequente e persistente, chegando ao ponto de tornar a pessoa incapaz de controlá-la.
Clinicamente podemos observar que, na ansiedade, o medo e a preocupação são muito difíceis de controlar e acabam interferindo significativamente no cotidiano da pessoa.
Imagine ter de desenvolver suas atividades profissionais, acadêmicas, sociais e seus relacionamentos sentindo constante medo e preocupação. Isso definitivamente compromete o desempenho dessa pessoa. E, mesmo que pareça um cenário caótico, boa parte da população convive com essa realidade, pois a ansiedade é uma das condições mais prevalentes, ao mesmo tempo que é uma das mais tratáveis.
Agora, vou te dizer quais são as principais manifestações clínicas ou “faces” da ansiedade quando ela se torna doença.
Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)

O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é marcado por uma preocupação crônica e aparece em diversas áreas da vida, como na saúde, no trabalho, nas finanças e nos relacionamentos. Essa preocupação, além de ser desproporcional, é de difícil manejo, é persistente e comumente é acompanhada por outros sintomas que são físicos.
No relato de pessoas que sofrem com o transtorno de ansiedade generalizada, é comum a descrição de inquietação constante, cansaço, tensão muscular, irritação, problemas com o sono e dificuldade de concentração, e uma sensação de estar sempre em estado de alerta, mesmo quando não estão vivendo ameaças reais.
Transtorno do Pânico

O Transtorno do Pânico é caracterizado por vivências de crises de pânico em momentos inesperados e de modo recorrente. Essas crises surgem de modo súbito, com medo intenso que atinge o auge em pouquíssimo tempo e provocam sintomas emocionais impactantes e sintomas físicos muito característicos.
As pessoas em crise relatam estar sentindo falta de ar, dor no peito, tontura e um medo paralisante. Relatam ainda o medo de morrer, de perder o controle e de enlouquecer.
Também é possível observar tremores, suor em excesso e tontura. Quando isso acontece pela primeira vez, leva a pessoa a ter medo de que outras crises aconteçam. Isso faz com que a pessoa desenvolva um tipo de ansiedade chamada antecipatória, que faz com que o indivíduo evite aqueles lugares ou aquelas situações nas quais vivenciou uma crise. Esse movimento, com o passar do tempo, pode limitar o espaço de convívio social.
Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social)

Na Fobia Social, percebemos que há um tipo de medo relacionado às relações sociais que inclui a sensação de estar constantemente sendo avaliado negativamente, sendo julgado ou sendo humilhado em situações que exijam desempenho. Por exemplo, quando a ansiedade se revela dessa forma, a pessoa passa a temer interações sociais, costuma evitar falar em público, tende a não expor as suas opiniões e evita realizar qualquer atividade com o público.
Mas não é apenas a timidez o problema desse tipo de ansiedade. Pois, ao gerar sofrimento e causar o isolamento social, há também a queda da autoestima e, consequentemente, prejuízos em todas as esferas da vida, em especial na dificuldade em desenvolver carreiras profissionais.
Existem outras formas de ansiedade?

Outras faces da ansiedade podem incluir especificidades como o medo de um objeto, de um animal ou de uma situação específica. É isso que nós chamamos de Fobia. Por exemplo: medo de cachorro, medo de altura, medo de injeções.
Diante da possibilidade do contato com essas situações ou objetos, a pessoa tem uma resposta imediata de ansiedade, que é o medo intenso, irracional e desproporcional, que faz com que a pessoa evite o ato ou o contato.
Esse tipo de ansiedade chega com menor frequência ao consultório, pois o fato de se afastar do problema e perceber alívio faz com que a pessoa consiga conviver por mais tempo com essa ansiedade. Estando longe do objeto, estará longe do medo. Mas na prática não é tão simples assim, pois as situações da vida não são um cálculo exato.
Como reconhecer?
Como percebemos até aqui, os principais sintomas da ansiedade são o medo e a preocupação. Mas eles não estão sozinhos neste cenário, pois também observamos: a impaciência, a mente acelerada, a apreensão constante e a irritabilidade. E no corpo: a tensão muscular, a tontura, o desconforto gastrointestinal, a taquicardia, entre outros.
Como tratar?

Para que se possa tratar da ansiedade adequadamente, independentemente de como ela se apresente, é importante que se tenha acesso à psicoterapia com abordagens que estejam baseadas em evidências e que auxiliem na identificação e na modificação desses padrões que nós chamamos de disfuncionais.
É no manejo dessas emoções, no enfrentamento gradual das situações que são temidas, que aos poucos percebemos a evolução do quadro com um bom prognóstico.
Semelhantemente, o acompanhamento psiquiátrico também se faz necessário, pois em alguns quadros é importante que se introduza antidepressivos e ansiolíticos para que se aliem no controle dos sintomas, mas sempre em acompanhamento psicoterapêutico.
E para não finalizar sem falar da importância de se cuidar diariamente, é necessária a prática de atividades físicas regularmente, a busca por técnicas de relaxamento, uma alimentação equilibrada e a prática da autorresponsabilidade, para que o estresse seja aliviado e ocorra a regulação emocional de modo geral.
Você não precisa ser uma super pessoa.
Se você convive com a ansiedade, você não é fraco por isso. É importante que você tenha em mente que o primeiro passo é buscar ajuda profissional. Isso vai ajudar você na superação do transtorno, quando é realizado um diagnóstico adequado e é construído um plano terapêutico personalizado.
Isso permite a ampliação da qualidade de vida e promove o seu bem-estar emocional. Enfrentar essas dificuldades não precisa ser uma tarefa solitária, e você pode buscar ajuda com um psicólogo ou com um médico que tenha especialidade clínica. Esses são os caminhos mais seguros e eficazes.









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