Medo de separação.
- Jonatas Oliveira
- 14 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Não consigo pensar em ficar longe de quem eu amo!
Até que ponto isso pode ser “bom”?
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Existe um fenômeno psicopatológico chamado “medo da separação” e ele pode acontecer diante da possibilidade de afastamento das figuras de apego.
O sofrimento por imaginar o afastamento ou a separação da pessoa amada pode incluir imaginar uma perda, um abandono, acidentes e situações catastróficas.
E esse sofrimento não fica apenas na mente. No corpo pode acontecer taquicardia e inquietação. O que faz diminuir a atenção para a realidade e aumentar a sensação de “ameaça”.
Quem passa por isso não costuma agir discretamente, pois o medo da separação é tamanho que transforma a pessoa em alguém hipervigilante e “onipresente” por não querer se afastar nem por um segundo.

Vamos fazer uma checagem?
Necessidade de contato constante
Necessidade de checar a vida da pessoa amada
Necessidade de garantias de que a pessoa “nunca me abandonará"
Necessidade de estar junto o tempo todo e preocupação com atividades que exigem afastamento, mesmo que por breves momentos.
Infelizmente, o resultado de sentir esse medo é o comprometimento da autonomia, a dependência emocional e a possibilidade de agravamento de quadros clínicos como: depressão, pânico e transtornos de adaptação.
Você sabe reconhecer quando há dependência emocional?

Dependência emocional diz respeito a um afeto que está exageradamente voltado para outra pessoa. Tão entregue que restringe a capacidade de reconhecer em si mesmo amor e valorização.
Na dependência emocional as coisas por dentro ficam muito desorganizadas quando a pessoa amada não está por perto.
E quando a pessoa amada se faz presente, ela está sempre certa, ela está sempre fazendo as melhores escolhas, ela é a mais importante. Mesmo que isso signifique para o “dependente” que ele será sempre um submisso.
Tudo isso promove a necessidade de constante validação e uma confusão de sentimentos que incluem oscilar entre amar e odiar, mas não conseguir se afastar.
Como identificar uma relação assim?
Trata-se de um cenário cíclico: alguém quer ser amado, recebe um pouco de atenção, se alivia, percebe que precisa de mais, fica ansioso em busca do amor novamente.
A sensação é de estar “viciado” naquela pessoa e algumas pessoas também chamam de “costume”.
Ao perceber isso em tratamento, encontramos as inseguranças que ao longo da vida criaram necessidades e comportamentos que levaram aos traços de ansiedade, apego e super controle.
A dependência emocional pode acontecer em qualquer tipo de relacionamento, mesmo que não seja romântico e por isso é importante reconhecer quando o vínculo não é ou não está saudável.
Vínculos “ruins”

Um vínculo não saudável não acontece da noite para o dia e é comumente marcado pela perda da segurança, a falta de investimento na relação e a percepção de “estagnação”. A relação não evolui mais.
Significa que não há troca afetiva, cuidado mútuo e nem diálogos para tomada de decisão. Mas ainda há um vínculo sem limites pessoais claros e com pessoas se sentindo sem autonomia.
Nem sempre há agressividade evidente, mas o ciclo de insegurança pode incluir medo, culpa, chantagem, ciúmes, testes ou joguinhos, retaliações e sensação de opressão.
Quando estamos em uma relação não saudável, apesar de reconhecer que o vínculo não é bom, há uma necessidade daquele outro por ele ter se tornado a única fonte de “estabilidade”. Isso acontece quando a necessidade de “amor” pessoal se mistura com a instabilidade da relação e gera muitos conflitos.
E como é possível lidar com tudo isso?
Vínculos ruins, dependência emocional e ansiedade de separação parecem caminhar de mãos dadas, mas não são imbatíveis por isso.
Existem estratégias para tratar de modo adequado esse cenário que inclui a ansiedade como uma peça importante em sua engrenagem.
É possível identificar os gatilhos, as antecipações catastróficas e as interpretações disfuncionais para reconhecer como a vida da pessoa está sendo afetada por uma relação que se tornou “inadequada”.
E com a psicoterapia a pessoa poderá ampliar a tolerância à distância gradualmente, questionar as crenças de desamparo e as previsões catastróficas, e desenvolver competências de autonomia e capacidade de autoamparo, autocuidado, autoamor e autovalorização.
A psicoterapia ainda ajuda a trabalhar a diferenciação do self, ampliando o senso de agência. Proporciona o reforço do repertório social e do suporte externo ao vínculo conjugal ou de outra natureza. E torna palpável o desenvolvimento de projetos próprios, reforçando a estabilidade interna.
Por onde você pode começar?

Aprendendo sobre comunicação assertiva para expor as suas necessidades de proximidade.
Desenvolvendo o hábito de estabelecer limites saudáveis, previsibilidade e acordos nas relações.
Levando a sua parceria para a terapia junto com você para trabalhar a evolução saudável do vínculo.
A retomada do amor próprio é importante em qualquer contexto no qual alguém se sente inferior, submisso e incapaz de viver longe do ser amado. Isso torna um amor possível e não o único possível. Afinal, o amor é livre e não aceita ser trancado. Prendê-lo é não amar.









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