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  • Foto do escritor: Jonatas Oliveira
    Jonatas Oliveira
  • há 5 dias
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Dificuldade em descartar, acúmulo e desorganização são vistos como sinais de TDAH. Mas seria desatenção?

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Acumular

Algumas pessoas interpretam a dificuldade persistente em descartar ou se desfazer de pertences, o acúmulo excessivo e a desorganização do espaço como sinais de TDAH. Mas será que é desatenção mesmo?


O Transtorno de Acumulação Compulsiva (TAC) é compreendido como uma perturbação do espectro obsessivo-compulsivo, mas sua fenomenologia é distinta: envolve dificuldades severas na tomada de decisão, atribuição afetiva excessiva a objetos e padrões de organização profundamente disfuncionais.


Pessoas com TDAH podem ter problemas para planejar onde guardar itens, categorizar objetos ou manter rotinas de limpeza, o que leva a uma desordem crônica.


Pessoas com TAC sentem uma forte necessidade de manter itens, mesmo que pareçam inúteis ou sem valor para os outros, devido a um apego emocional ou à crença de que serão necessários no futuro.


A “confusão” de sinais e sintomas para um diagnóstico acontece quando muitas características estão presentes: ansiedade generalizada, TDAH (especialmente o subtipo desatento), transtornos do humor e histórico de perda traumática, por exemplo.


Clinicamente, tratar um quadro complexo exige o reconhecimento da evolução crônica, do agravamento por isolamento social, da vergonha e da resistência a intervenções familiares coercitivas, entre outros fatores. Por isso é tão importante evitar o autodiagnóstico. Não é tão simples assim.


Identificando as diferenças...


Acumular

A dificuldade de manter a atenção e a percepção de que um objeto existe mesmo quando fora do campo de visão faz com que muitos itens sejam deixados à vista para serem lembrados, resultando em desordem. Isso no TDAH.


No TAC, o acúmulo de objetos causa superlotação dos ambientes, impedindo que sejam utilizados para seus propósitos originais (como cozinhar, dormir ou se exercitar).


No TDAH, tarefas consideradas monótonas ou que exigem esforço mental contínuo, como organizar ou descartar objetos, são frequentemente adiadas (procrastinadas), e a impulsividade pode levar à compra excessiva de itens, mesmo sem necessidade real ou espaço para eles.


No TAC, a acumulação provoca sofrimento significativo, vergonha, isolamento social e prejuízos nas esferas social, relacional, financeira, de higiene e ambiental. A superlotação pode criar riscos como incêndios, quedas, acidentes e condições insalubres.


Todos os casos merecem atenção e cuidado.


Acumular

Nos dois casos (TDAH e TAC), observa-se a formação de um cenário caótico marcado pela dificuldade do indivíduo em lidar com questões que, para outras pessoas, parecem simples: planejar e organizar. O planejamento e a organização se perdem na ausência de limites claros ou no esquecimento gerado pela clássica procrastinação.


As diferenças marcantes estão na motivação, nos sentimentos e no conteúdo observado. Por exemplo, uma pessoa com TDAH pode acumular papéis no escritório por não conseguir concluir todas as tarefas do cotidiano. Os mesmos papéis podem ser guardados de forma acumulativa por alguém com TAC, mas nesse caso devido ao peso sentimental atribuído ou a uma necessidade irreal.


Não podemos julgar o sofrimento, pois há prejuízos em qualquer um dos cenários. E ambos precisam de ajuda para lidar com sentimentos e comportamentos.


Na prática clínica, o tratamento do TDAH pode mitigar drasticamente a desorganização e o acúmulo secundário. Se houver diagnóstico comórbido de TAC, a intervenção deve ser mais específica e intensiva, com foco na reestruturação cognitiva sobre o valor dos objetos.


O mais importante é não negligenciar o momento em que se precisa de cuidado.


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