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  • Foto do escritor: Jonatas Oliveira
    Jonatas Oliveira
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Já falei pra você praticar atividade física?


Em psicoterapia, é comum o psicólogo sugerir a inclusão de atividade física regular, mesmo quando a queixa principal não é “saúde física”. Para muita gente isso soa desconexo:


Se o sofrimento é emocional, por que caminhar, pedalar ou fazer musculação ajudaria?


Porque, na prática clínica, movimento corporal não é só “hábito saudável”. Ele funciona como uma intervenção comportamental com efeitos observáveis sobre humor, sono, estresse e autorregulação.


Atividade física na conversa terapêutica


Atividade física regular se associa a benefícios relevantes para saúde mental, incluindo redução de sintomas depressivos e ansiosos, além de melhorar o bem-estar e o funcionamento geral.


Na clínica, isso importa por um motivo simples: sofrimento psíquico costuma afetar corpo e rotina ao mesmo tempo.


Quando o paciente recupera um mínimo de vitalidade corporal, frequentemente também melhora a qualidade do sono e sensação de descanso, a clareza cognitiva, a energia e prontidão para agir, a tolerância ao desconforto e à frustração, e a capacidade de sustentar escolhas consistentes (mesmo pequenas).


Não precisa começar “intenso” para ser “efetivo”


Mesmo modalidades simples e acessíveis, como caminhada, yoga e treino de força, aparecem com bons resultados para sintomas depressivos.


Além disso, qualquer movimento conta, e adultos podem buscar uma faixa semanal de atividade aeróbica moderada ou vigorosa, ajustando à sua realidade clínica.


Atividade física

Não precisa ser somente “academia”


Muitos pacientes traduzem “atividade física” como academia lotada, corrida intensa ou treino pesado. Só que, em psicoterapia, o início costuma ser desenhado para ser simples.


Os treinos podem ter um formato "agradável" e tolerável para reduzir barreiras de entrada; para ser sustentável, para não depender de motivação alta; e para ser mensurável, para o paciente perceber avanço real e compatível com o quadro, especialmente em depressão, ansiedade ou esgotamento.


Uma caminhada em esteira ou na rua por 10 a 20 minutos, alguns dias na semana, pode ser um começo clinicamente inteligente! Isso reintroduz rotina, dá sensação de domínio, reduz isolamento e cria um compromisso mínimo com o próprio cuidado.


Não é milagre, é o corpo em ação!


A atividade física pode reduzir hormônios relacionados ao estresse, como cortisol, e favorecer um estado corporal menos reativo ao longo do tempo.


Ela se associa a alterações em sistemas neuroquímicos envolvidos em bem-estar e disposição, além de efeitos subjetivos de humor mais estável após prática consistente.


E não podemos esquecer da "mãozinha" que uma boa rotina de exercícios dá nas noites de sono! Sono ruim amplifica a vulnerabilidade emocional e cognitiva. Há melhora do sono e redução de estresse com aumento de atividade diária, inclusive as mais simples como passos.


Atividade física

Vamos fazer uma inserção do que está no DSM-5-TR:


O DSM-5-TR é um manual diagnóstico, não um guia de prescrição terapêutica, e não define “o que fazer” como tratamento. Ainda assim, ele descreve sintomas centrais que, na vida real, são influenciados por sono, energia, ritmo psicomotor e estresse.


Transtornos depressivos

Sintomas como fadiga, lentificação psicomotora, alterações de sono e queda de interesse tendem a piorar quando o corpo fica em modo de imobilidade. Movimento regular pode atuar como suporte para reativação comportamental e reorganização de rotina.


Transtornos de ansiedade

Ansiedade frequentemente envolve hiperativação: tensão muscular, aceleração fisiológica e inquietação. O exercício físico pode ajudar a treinar o organismo a regular estados intensos e a reduzir a leitura automática de ativação como ameaça.


Transtornos relacionados a trauma e estressores

Estar hiperalerta e ter um sono fragmentado aumentam a vulnerabilidade emocional. Intervenções corporais estruturadas, quando bem dosadas, podem favorecer regulação autonômica e um sono mais "recuperador".


Comece pequeno!

Se a meta é criar aderência, comece pelo mínimo viável:


Frequência: 3 dias/semana

Duração: 10 a 20 minutos

Intensidade: leve a moderada (quando você consegue dizer pequenas frases durante a prática sem ficar ofegante).


Regra de ouro: pare ainda com “gostinho de que dá para continuar”


Quando estiver estável por 2 a 3 semanas, avance só um parâmetro por vez: tempo ou dias ou intensidade.


Lembre-se de que atividade física regular não é “cura mágica”, não substitui psicoterapia e não substitui avaliação médica ou medicação quando indicada.


É um recurso protetor e estabilizador, com evidência consistente como componente de promoção de saúde mental e prevenção de recaídas, especialmente quando integrado a um plano terapêutico realista.


Se houver limitações clínicas, dor, risco cardiovascular, uso de medicações com impacto fisiológico importante, ou histórico de transtornos alimentares com compulsão por exercício, a recomendação deve ser individualizada e, quando necessário, articulada com equipe de saúde.


Por que o psicólogo insiste tanto?


Atividade física

Quando o paciente cuida minimamente do corpo, tende a ampliar a capacidade de pensar com mais clareza, regular o humor, dormir melhor e sustentar escolhas que antes pareciam impossíveis.


O que o psicólogo está propondo é um ritual mínimo de autocuidado com uma experiência corporal de presença, um treino indireto de disciplina emocional, uma forma prática de estabilização neurofisiológica e uma intervenção comportamental executável, mesmo em dias difíceis!


Seu corpo sente, sofre, descansa, relaxa e vibra! Cuidar dele não é um "detalhe" da saúde mental. É parte do tratamento.


Entre em contato para agendar a sua sessão.


Cuide-se bem.


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