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  • Crenças centrais: as lentes invisíveis que moldam sua forma de ver a vida.

    Crenças centrais: as lentes invisíveis que moldam sua forma de ver a vida. Muitas pessoas acreditam que seus pensamentos refletem fielmente a realidade. No entanto, na TCC, compreendemos que grande parte do que pensamos passa por lentes cognitivas, chamadas de crenças centrais. As crenças centrais são ideias profundas, globais e rígidas que desenvolvemos sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo. Elas costumam se formar a partir de experiências precoces, relacionamentos significativos e eventos emocionalmente marcantes, especialmente quando repetidos ao longo do tempo. Alguns exemplos comuns de crenças centrais são: “Eu não sou bom o suficiente” “As pessoas sempre me decepcionam” “O mundo é perigoso” “Se eu errar, serei rejeitado” Essas crenças funcionam como filtros invisíveis. Elas não determinam exatamente o que acontece, mas influenciam profundamente como interpretamos cada situação. A partir delas, surgem os pensamentos automáticos — rápidos, involuntários e muitas vezes carregados de distorções cognitivas. Quando uma crença central é rígida e negativa, a pessoa tende a: Selecionar apenas informações que confirmem essa crença, Desconsiderar evidências contrárias, Reagir emocionalmente de forma intensa, Repetir padrões de comportamento que mantêm o sofrimento. É importante destacar que crenças não são fatos, embora muitas vezes sejam vivenciadas como verdades absolutas. Elas são construções psicológicas, aprendidas e reforçadas ao longo da vida. Justamente por isso, podem ser questionadas, flexibilizadas e ressignificadas. Na terapia cognitivo-comportamental, o trabalho com crenças centrais é feito de forma cuidadosa e gradual. O objetivo não é eliminar crenças, mas ampliar o repertório cognitivo, desenvolver interpretações mais equilibradas e permitir que a pessoa enxergue a realidade com mais nuances. Quando começamos a questionar essas lentes, algo importante acontece: A visão de si se torna menos rígida, A visão dos outros mais complexa, E o mundo deixa de ser percebido apenas como ameaçador ou injusto. Esse processo tem impacto direto na redução de sintomas emocionais e no aumento de autonomia, autocompaixão e flexibilidade psicológica - aspectos fundamentais para uma saúde mental mais sólida e sustentável. Agende a sua sessão. Entre em contato. Cuide-se bem. Lorena Pessoa Fidelis

  • Tudo o que você precisa saber sobre a psicoterapia online.

    Tudo o que você precisa saber sobre a psicoterapia online. A psicoterapia online é uma modalidade de cuidado psicológico reconhecida e regulamentada , que amplia o acesso ao acompanhamento em saúde mental, preservando os princípios éticos, técnicos e científicos da prática psicológica. Para quem a psicoterapia online é indicada? A psicoterapia online pode ser adequada para diferentes perfis, desde que haja avaliação técnica por parte do profissional . Entre os principais públicos, destacam-se: Pessoas com rotina intensa ou agenda restrita : possibilita economia de tempo ao eliminar deslocamentos, especialmente em grandes centros urbanos. Pessoas brasileiras residentes no exterior : facilita o acesso a profissionais que compartilham o mesmo idioma e referências culturais. Pessoas com mobilidade reduzida : reduz barreiras físicas de acesso aos consultórios presenciais. Pessoas que residem em cidades pequenas ou regiões com poucos profissionais especializados: amplia o acesso a diferentes abordagens e especialidades. Quem busca maior privacidade ou conforto : permite a realização das sessões em um ambiente familiar e seguro. Adolescentes : desde que haja consentimento formal das pessoas responsáveis e avaliação técnica que indique a adequação da modalidade. Quais plataformas são utilizadas para as sessões? As sessões são realizadas exclusivamente por meio de plataformas digitais seguras , que utilizam criptografia de ponta a ponta, garantindo a confidencialidade das informações e impedindo a interceptação de áudio e vídeo por terceiros. Exemplos incluem plataformas corporativas como Google Meet for Business, Zoom ou sistemas específicos desenvolvidos para telepsicologia, sempre em conformidade com as normas éticas e legais da profissão. Quais cuidados a pessoa atendida deve ter na psicoterapia online? Para favorecer a qualidade do atendimento e a segurança do processo terapêutico, recomenda-se: Confirmar previamente o agendamento e acessar o link enviado com antecedência; Priorizar o horário reservado para a sessão; Verificar a qualidade da conexão com a internet antes do atendimento; Escolher um ambiente silencioso, reservado e confortável; Utilizar fones de ouvido sempre que possível; Evitar o uso de redes Wi-Fi públicas ou abertas; Manter o dispositivo com sistema operacional e antivírus atualizados; Garantir que esteja em um ambiente isolado, evitando a presença ou escuta de terceiros durante a sessão. Os resultados são mais lentos por se tratar de atendimento online? Não. A psicoterapia online apresenta eficácia e tempo de resposta equivalentes ao atendimento presencial para a maioria das condições clínicas , como ansiedade, depressão e dificuldades relacionais. Em alguns aspectos, a modalidade online pode inclusive favorecer o processo terapêutico: A facilidade de acesso diminui faltas relacionadas a trânsito, deslocamento ou imprevistos logísticos, favorecendo a continuidade do tratamento. A eliminação de barreiras geográficas possibilita acesso mais imediato ao cuidado, reduzindo o risco de agravamento dos sintomas. Muitas pessoas se sentem mais à vontade em seu próprio ambiente, o que pode facilitar a expressão emocional e o vínculo terapêutico desde as primeiras sessões. Eventuais dificuldades relatadas geralmente não se relacionam à eficácia do tratamento em si, mas a fatores técnicos ou contextuais, como: Instabilidades de conexão que podem interromper o fluxo da comunicação; Preparação prévia : no formato online, recomenda-se reservar alguns minutos antes e depois da sessão para favorecer o foco e a integração do conteúdo trabalhado; Questões de privacidade : quando a pessoa não se sente segura para falar livremente em casa, o processo pode ser impactado. Como alternativa ao ambiente residencial, algumas pessoas optam por iniciar o atendimento em locais diferentes, priorizando conforto e segurança. Quem não pode receber atendimento nessa modalidade? Há situações em que o psicólogo ou a psicóloga fica tecnicamente impossibilitado(a) de oferecer atendimento online. Isso ocorre quando a pessoa apresenta: Risco iminente à vida ou à integridade , como ideação suicida grave, automutilação severa ou vivência de violência doméstica; Ameaça à liberdade ou aos direitos , como em contextos de privação de liberdade ou medidas socioeducativas, nos quais o acompanhamento presencial é fundamental; Situações de urgência ou emergência , como crises psicóticas agudas ou contextos de desastre que comprometam a estabilidade emocional e a segurança da pessoa atendida. O que fazer se a situação exigir outra modalidade de cuidado? Nesses casos, é fundamental buscar atendimento presencial para que o quadro clínico seja acolhido em sua complexidade e receba o cuidado mais adequado no momento. Isso não invalida a psicoterapia online no futuro , mas indica que, agora, outro tipo de atenção é necessário. Se houver necessidade de suporte imediato, recomenda-se ter à disposição os seguintes serviços públicos de urgência no Brasil: CAPS III e CAPS AD III (Álcool e Drogas) : funcionamento 24 horas, inclusive fins de semana e feriados, com acolhimento noturno para situações de crise intensa. UPA 24h (Unidades de Pronto Atendimento): realizam acolhimento, classificação de risco e encaminhamento para a rede de saúde mental. SAMU 192 : atendimento pré-hospitalar em situações de urgência, incluindo crises psíquicas agudas. CVV – Centro de Valorização da Vida (188) : atendimento gratuito e sigiloso para escuta emocional. É importante lembrar que a necessidade de outro tipo de atendimento em determinado momento não significa impossibilidade definitiva de acompanhamento online, mas sim um ajuste responsável às demandas atuais de cuidado. O exercício profissional da Psicologia mediado por Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação é regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia , conforme normativas vigentes. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jonatas Mackson Silva de Oliveira

  • A forma como você se enxerga impacta diretamente sua saúde mental.

    A forma como você se enxerga impacta diretamente sua saúde mental. A maneira como nos vemos não é apenas uma opinião passageira ou um pensamento isolado. Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entendemos que a visão de si mesmo é um dos pilares centrais da saúde mental, pois influencia diretamente como interpretamos situações, como nos sentimos emocionalmente e como agimos no dia a dia. Aaron Beck, ao desenvolver o modelo cognitivo, descreveu a chamada tríade cognitiva, composta pela visão de si, dos outros e do mundo. Quando essa tríade é marcada por interpretações negativas e rígidas, o risco para sofrimento psicológico aumenta significativamente, especialmente em quadros de ansiedade e depressão. Por exemplo, uma pessoa que se enxerga como “incapaz” ou “insuficiente” tende a: Interpretar desafios como provas de incompetência, Perceber erros como falhas pessoais graves, Antecipar rejeição ou crítica por parte dos outros, Sentir emoções como vergonha, ansiedade e desânimo com mais frequência. Essas interpretações não surgem porque a pessoa é “fraca” ou “pessimista”, mas porque ela passou a interpretar a realidade a partir de uma lente específica, construída ao longo da vida. A forma como nos vemos funciona como um filtro: não altera os fatos em si, mas altera profundamente o significado que damos a eles. Do ponto de vista científico, inúmeros estudos mostram que crenças negativas sobre si mesmo estão associadas a maior vulnerabilidade emocional, pior regulação emocional e padrões comportamentais de esquiva, autocrítica excessiva ou perfeccionismo rígido. Na psicoterapia, especialmente na TCC, o objetivo não é substituir pensamentos negativos por frases positivas e artificiais. O foco está em compreender como essa visão de si foi construída, identificar padrões de pensamento automáticos e trabalhar para desenvolver uma percepção mais realista, flexível e compassiva. Mudar a forma como você se enxerga não significa ignorar dificuldades ou limitações, mas aprender a se perceber de maneira mais ampla, contextualizada e menos punitiva. Pequenas mudanças nessa lente podem gerar impactos significativos na saúde emocional e na forma de se relacionar consigo e com o mundo. Agende a sua sessão. Entre em contato. Cuide-se bem. Lorena Pessoa Fidelis

  • Você pensa que não é bom o suficiente?

    Você pensa que não é bom o suficiente? Enviado por: Jonatas Oliveira Não sou bom o suficiente. Pensamentos como esse refletem o pensamento automático negativo que surge em contexto de avaliação, na comparação social, nas frustrações e nas experiências de falhas. Esse pensamento não é um sinal de fraqueza e também não indica, necessariamente, uma doença psicológica. Isso chama a atenção para a capacidade de autorreflexão e o desejo por validação social. Sou incapaz. Esse pensamento não pode ser encarado como uma verdade absoluta e o seu desdobramento pode ser outros pensamentos, como "não tenho valor". Ao longo da história de vida, uma pessoa pode construir esse tipo de pensamento a partir de suas interações familiares, da vida escolar e no contexto da comunidade em que vive, principalmente em cenários extremamente competitivos . Não tenho valor. Existem situações em que esse pensamento costuma surgir com mais intensidade, como por exemplo quando acontecem as demissões, as fases de transição, os términos de relacionamento, e os desafios que a vida apresenta. É necessário ajustar as expectativas e redefinir as metas sempre que uma autocrítica como essa surgir. Nunca vou ser alguém. Se alguém permite que um pensamento como esse se torne estruturante na sua vida, a mentalidade fica inflexível. E aí, sim, transtornos depressivos, de ansiedade, podem surgir , fazendo também surgir comportamentos disfuncionais e uma sensação de inadequação constante, o que gera grande sofrimento. Ninguém gosta de mim. É muito importante não confundir valor social com a sua performance , pois os seus resultados não são a sua dignidade. Todas as pessoas compartilham da imperfeição, pois ninguém alcança o status “desejável e imposto” pela pressão social. Se as suas decisões são guiadas ilimitadamente por um pensamento como esse e a sua identidade também tem sido prejudicada, é necessário trabalhar com essa crença que distorce a realidade. Você precisa de ajuda? No processo psicológico, esses pensamentos não são aniquilados, mas acolhidos, para que sejam reconhecidos como pensamentos norteadores para algo e não um fato em si. Ao questionarmos esse tipo de crença, podemos construir uma relação mais funcional conosco. Sempre que você pensar "eu não sou bom o suficiente" , lembre-se de que é um pensamento humano e comum, e que você não precisa viver aprisionado a ele. E, nos casos em que esse pensamento se tornar adoecedor, reconheça esse impacto e busque ajuda para identificar e tratar o problema. Aceitar nossas limitações é vital para uma vida equilibrada. Não precisamos ser especialistas em tudo ou buscar excelência e validação constantes, o que só gera pressão e desarmonia. Cuide-se!

  • E se a pessoa tóxica for eu?

    E se a pessoa tóxica for eu? Enviado por: Jonatas Oliveira Tornou-se comum falarmos que alguém pode ser tóxico, ou que podemos estar envolvidos em um relacionamento tóxico. No entanto, quando dizemos algo sobre o outro ou sobre a relação, acabamos deslocando o foco do sofrimento para fora de nós mesmos.  Uma dinâmica como essa, de relacionamento percebido ou sentido como tóxico, geralmente é bem complexa. Isso porque os relacionamentos acabam se tornando adoecidos mais pelos padrões relacionais pelos quais são construídos do que pelo "tipo" de pessoa que está naquela relação. Quando nos perguntamos: "E se a pessoa tóxica dessa relação for eu?" , não estamos em busca de um culpado, mas parece ser a consciência da responsabilidade afetiva nos convocando. Nesse sentido, podemos perceber que qualquer pessoa, por mais bem-intencionada que esteja em um relacionamento, pode, sim, produzir sofrimento naquele vínculo. E isso acontece porque, em alguns casos, os contextos e as vivências pelas quais passamos costumam ser reproduzidos de maneira quase que automática. E, até aquilo que para o outro é considerado ruim, sob a nossa perspectiva é percebido como natural, ou como a forma que conhecemos de nos conectar. Ninguém entra em um "relacionamento funcional" porque não dá pra adivinhar simplesmente que ele será bom e pronto! Ninguém torna uma relação disfuncional porque não se faz uma relação sozinho (dadas as devidas proporções). A relação acontece de modo disfuncional quando deixa de ser um espaço seguro, quando os indivíduos não conseguem mais se validar e nem apoiar o crescimento um do outro.  Existem, por exemplo, relações em que uma pessoa se sente confortável, mas a outra não. Existem modelos de relacionamentos em que uma pessoa se sente silenciada e a outra nem percebe. Tem, ainda, aqueles relacionamentos em que todos estão exaustos, pois estão constantemente vigilantes, e se sentem sem saída, sem nem saber por quê. Ao observar comportamentos que são excessivamente controladores ou extremamente passivos, críticas que não são explícitas, mas estão ali diariamente, a necessidade insaciável de admiração, validação e confirmação... Tudo isso não acontece da noite para o dia e nem se sustenta em qualquer tipo de relacionamento. É preciso que pessoas com necessidades específicas, histórico de vida específico e forma de lidar com as suas inseguranças – ou seja, pessoas muito específicas – criem relacionamentos muito específicos. E alguns desses relacionamentos são chamados de "tóxicos".   É aquela combinação daquele “jeito”, e que, naquele momento, não está funcionando bem. O problema não é só que isso aconteça, mas o fato de as pessoas desse relacionamento não terem consciência sobre como estão agindo. Então, qualquer um de nós pode ser a “pessoa tóxica” da relação quando não temos consciência de que as nossas atitudes representam agressividade e provocação para o outro. Quando nos questionamos "Será que eu sou a pessoa tóxica desta relação?" , esse também é um movimento de maturidade emocional e que foge à regra de pensar apenas que a outra pessoa tem defeitos e somente eu tenho as minhas dores. Nesse sentido, podemos começar a avaliar como as nossas formas de amar estão permitindo a existência do outro e como as nossas exigências estão afetando o outro ao longo do tempo. Qualquer relacionamento saudável tem por princípio ser livre de tensões e abre espaço para o diálogo, a autorreflexão e os ajustes, que sempre aparecerão. Quando a outra pessoa se sente autorizada a existir como ela é, sem precisar performar para mim. Então, eu estou dando espaço para que essa relação seja saudável e sustentável. Do contrário, posso estar sendo, de fato, a pessoa tóxica. Então, preciso rever as minhas ações. Precisamos nos avaliar com honestidade continuamente.  E para não cair em uma dinâmica adoecedora, é preciso não absolver os comportamentos nocivos, mas olhar para eles, falar sobre eles e buscar a transformação. Porque aquilo que nós estamos chamando de toxicidade pode ser outra coisa: as nossas dores que não foram elaboradas.

  • As faces da ansiedade.

    Como reconhecer a ansiedade patológica? Enviado por: Jonatas Oliveira Quando falamos de ansiedade, é importante lembrar que ela é humana, fundamental e normal. A ansiedade funciona como um sistema de alerta para nós, ao preparar o nosso organismo para lidar com desafios ou situações de risco. A ansiedade só se torna um problema quando surge como um transtorno, o que significa uma resposta desproporcional ao contexto. Isto é, a ansiedade surgindo de modo excessivo, intenso, frequente e persistente, chegando ao ponto de tornar a pessoa incapaz de controlá-la. Clinicamente podemos observar que, na ansiedade, o medo e a preocupação são muito difíceis de controlar e acabam interferindo significativamente no cotidiano da pessoa. Imagine ter de desenvolver suas atividades profissionais, acadêmicas, sociais e seus relacionamentos sentindo constante medo e preocupação. Isso definitivamente compromete o desempenho dessa pessoa. E, mesmo que pareça um cenário caótico, boa parte da população convive com essa realidade, pois a ansiedade é uma das condições mais prevalentes, ao mesmo tempo que é uma das mais tratáveis. Agora, vou te dizer quais são as principais manifestações clínicas ou “faces” da ansiedade quando ela se torna doença. Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é marcado por uma preocupação crônica e aparece em diversas áreas da vida, como na saúde, no trabalho, nas finanças e nos relacionamentos. Essa preocupação, além de ser desproporcional, é de difícil manejo, é persistente e comumente é acompanhada por outros sintomas que são físicos. No relato de pessoas que sofrem com o transtorno de ansiedade generalizada, é comum a descrição de inquietação constante, cansaço, tensão muscular, irritação, problemas com o sono e dificuldade de concentração, e uma sensação de estar sempre em estado de alerta, mesmo quando não estão vivendo ameaças reais. Transtorno do Pânico O Transtorno do Pânico é caracterizado por vivências de crises de pânico em momentos inesperados e de modo recorrente. Essas crises surgem de modo súbito, com medo intenso que atinge o auge em pouquíssimo tempo e provocam sintomas emocionais impactantes e sintomas físicos muito característicos. As pessoas em crise relatam estar sentindo falta de ar, dor no peito, tontura e um medo paralisante. Relatam ainda o medo de morrer, de perder o controle e de enlouquecer. Também é possível observar tremores, suor em excesso e tontura. Quando isso acontece pela primeira vez, leva a pessoa a ter medo de que outras crises aconteçam. Isso faz com que a pessoa desenvolva um tipo de ansiedade chamada antecipatória, que faz com que o indivíduo evite aqueles lugares ou aquelas situações nas quais vivenciou uma crise. Esse movimento, com o passar do tempo, pode limitar o espaço de convívio social. Transtorno de Ansiedade Social (Fobia Social) Na Fobia Social, percebemos que há um tipo de medo relacionado às relações sociais que inclui a sensação de estar constantemente sendo avaliado negativamente, sendo julgado ou sendo humilhado em situações que exijam desempenho. Por exemplo, quando a ansiedade se revela dessa forma, a pessoa passa a temer interações sociais, costuma evitar falar em público, tende a não expor as suas opiniões e evita realizar qualquer atividade com o público. Mas não é apenas a timidez o problema desse tipo de ansiedade. Pois, ao gerar sofrimento e causar o isolamento social, há também a queda da autoestima e, consequentemente, prejuízos em todas as esferas da vida, em especial na dificuldade em desenvolver carreiras profissionais. Existem outras formas de ansiedade? Outras faces da ansiedade podem incluir especificidades como o medo de um objeto, de um animal ou de uma situação específica. É isso que nós chamamos de Fobia. Por exemplo: medo de cachorro, medo de altura, medo de injeções. Diante da possibilidade do contato com essas situações ou objetos, a pessoa tem uma resposta imediata de ansiedade, que é o medo intenso, irracional e desproporcional, que faz com que a pessoa evite o ato ou o contato. Esse tipo de ansiedade chega com menor frequência ao consultório, pois o fato de se afastar do problema e perceber alívio faz com que a pessoa consiga conviver por mais tempo com essa ansiedade. Estando longe do objeto, estará longe do medo. Mas na prática não é tão simples assim, pois as situações da vida não são um cálculo exato. Como reconhecer? Como percebemos até aqui, os principais sintomas da ansiedade são o medo e a preocupação. Mas eles não estão sozinhos neste cenário, pois também observamos: a impaciência, a mente acelerada, a apreensão constante e a irritabilidade. E no corpo: a tensão muscular, a tontura, o desconforto gastrointestinal, a taquicardia, entre outros. Como tratar? Para que se possa tratar da ansiedade adequadamente, independentemente de como ela se apresente, é importante que se tenha acesso à psicoterapia com abordagens que estejam baseadas em evidências e que auxiliem na identificação e na modificação desses padrões que nós chamamos de disfuncionais. É no manejo dessas emoções, no enfrentamento gradual das situações que são temidas, que aos poucos percebemos a evolução do quadro com um bom prognóstico. Semelhantemente, o acompanhamento psiquiátrico também se faz necessário, pois em alguns quadros é importante que se introduza antidepressivos e ansiolíticos para que se aliem no controle dos sintomas, mas sempre em acompanhamento psicoterapêutico. E para não finalizar sem falar da importância de se cuidar diariamente, é necessária a prática de atividades físicas regularmente, a busca por técnicas de relaxamento, uma alimentação equilibrada e a prática da autorresponsabilidade, para que o estresse seja aliviado e ocorra a regulação emocional de modo geral. Você não precisa ser uma super pessoa. Se você convive com a ansiedade, você não é fraco por isso. É importante que você tenha em mente que o primeiro passo é buscar ajuda profissional. Isso vai ajudar você na superação do transtorno, quando é realizado um diagnóstico adequado e é construído um plano terapêutico personalizado. Isso permite a ampliação da qualidade de vida e promove o seu bem-estar emocional. Enfrentar essas dificuldades não precisa ser uma tarefa solitária, e você pode buscar ajuda com um psicólogo ou com um médico que tenha especialidade clínica. Esses são os caminhos mais seguros e eficazes.

  • Medo de separação.

    Não consigo pensar em ficar longe de quem eu amo! Até que ponto isso pode ser “bom”? Enviado por: Jonatas Oliveira Existe um fenômeno psicopatológico chamado “medo da separação” e ele pode acontecer diante da possibilidade de afastamento das figuras de apego. O sofrimento por imaginar o afastamento ou a separação da pessoa amada pode incluir imaginar uma perda, um abandono, acidentes e situações catastróficas. E esse sofrimento não fica apenas na mente. No corpo pode acontecer taquicardia e inquietação. O que faz diminuir a atenção para a realidade e aumentar a sensação de “ameaça”. Quem passa por isso não costuma agir discretamente, pois o medo da separação é tamanho que transforma a pessoa em alguém hipervigilante e “onipresente” por não querer se afastar nem por um segundo. Vamos fazer uma checagem? Necessidade de contato constante Necessidade de checar a vida da pessoa amada Necessidade de garantias de que a pessoa “nunca me abandonará" Necessidade de estar junto o tempo todo e preocupação com atividades que exigem afastamento, mesmo que por breves momentos. Infelizmente, o resultado de sentir esse medo é o comprometimento da autonomia, a dependência emocional e a possibilidade de agravamento de quadros clínicos como: depressão, pânico e transtornos de adaptação. Você sabe reconhecer quando há dependência emocional? Dependência emocional diz respeito a um afeto que está exageradamente voltado para outra pessoa. Tão entregue que restringe a capacidade de reconhecer em si mesmo amor e valorização. Na dependência emocional as coisas por dentro ficam muito desorganizadas quando a pessoa amada não está por perto. E quando a pessoa amada se faz presente, ela está sempre certa, ela está sempre fazendo as melhores escolhas, ela é a mais importante. Mesmo que isso signifique para o “dependente” que ele será sempre um submisso. Tudo isso promove a necessidade de constante validação e uma confusão de sentimentos que incluem oscilar entre amar e odiar, mas não conseguir se afastar. Como identificar uma relação assim? Trata-se de um cenário cíclico: alguém quer ser amado, recebe um pouco de atenção, se alivia, percebe que precisa de mais, fica ansioso em busca do amor novamente. A sensação é de estar “viciado” naquela pessoa e algumas pessoas também chamam de “costume”. Ao perceber isso em tratamento, encontramos as inseguranças que ao longo da vida criaram necessidades e comportamentos que levaram aos traços de ansiedade, apego e super controle. A dependência emocional pode acontecer em qualquer tipo de relacionamento, mesmo que não seja romântico e por isso é importante reconhecer quando o vínculo não é ou não está saudável. Vínculos “ruins” Um vínculo não saudável não acontece da noite para o dia e é comumente marcado pela perda da segurança, a falta de investimento na relação e a percepção de “estagnação”. A relação não evolui mais. Significa que não há troca afetiva, cuidado mútuo e nem diálogos para tomada de decisão. Mas ainda há um vínculo sem limites pessoais claros e com pessoas se sentindo sem autonomia. Nem sempre há agressividade evidente, mas o ciclo de insegurança pode incluir medo, culpa, chantagem, ciúmes, testes ou joguinhos, retaliações e sensação de opressão. Quando estamos em uma relação não saudável, apesar de reconhecer que o vínculo não é bom, há uma necessidade daquele outro por ele ter se tornado a única fonte de “estabilidade”. Isso acontece quando a necessidade de “amor” pessoal se mistura com a instabilidade da relação e gera muitos conflitos. E como é possível lidar com tudo isso? Vínculos ruins, dependência emocional e ansiedade de separação parecem caminhar de mãos dadas, mas não são imbatíveis por isso. Existem estratégias para tratar de modo adequado esse cenário que inclui a ansiedade como uma peça importante em sua engrenagem. É possível identificar os gatilhos, as antecipações catastróficas e as interpretações disfuncionais para reconhecer como a vida da pessoa está sendo afetada por uma relação que se tornou “inadequada”. E com a psicoterapia a pessoa poderá ampliar a tolerância à distância gradualmente, questionar as crenças de desamparo e as previsões catastróficas, e desenvolver competências de autonomia e capacidade de autoamparo, autocuidado, autoamor e autovalorização. A psicoterapia ainda ajuda a trabalhar a diferenciação do self, ampliando o senso de agência. Proporciona o reforço do repertório social e do suporte externo ao vínculo conjugal ou de outra natureza. E torna palpável o desenvolvimento de projetos próprios, reforçando a estabilidade interna. Por onde você pode começar? Aprendendo sobre comunicação assertiva para expor as suas necessidades de proximidade. Desenvolvendo o hábito de estabelecer limites saudáveis, previsibilidade e acordos nas relações. Levando a sua parceria para a terapia junto com você para trabalhar a evolução saudável do vínculo. A retomada do amor próprio é importante em qualquer contexto no qual alguém se sente inferior, submisso e incapaz de viver longe do ser amado. Isso torna um amor possível e não o único possível. Afinal, o amor é livre e não aceita ser trancado. Prendê-lo é não amar.

  • Aprenda a lidar com a frustração e a crítica.

    Sucesso e satisfação devem ser imediatos, sem tolerância para falhas ou desconforto? Enviado por: Jéssyca Martins Vivemos em uma sociedade marcada pela pressa e pela busca constante por resultados imediatos. Tudo precisa acontecer agora, e qualquer espera se torna motivo de incômodo. Junto com esse imediatismo, percebo o quanto tem se tornado difícil para muitas pessoas lidar com a intolerância, a baixa tolerância à frustração e a não aceitação de críticas. Parece que, na tentativa de viver apenas a emoção da felicidade, esquecemos que sentir é muito mais amplo e complexo. A cultura atual incentiva a ideia de que o sucesso e o prazer devem ser alcançados de forma rápida, sem espaço para erros, desacertos ou desconfortos. Com isso, as pessoas acabam desenvolvendo uma relação frágil com as próprias emoções: não suportam esperar, não aceitam ser contrariadas e rejeitam qualquer feedback que as confronte. Essa postura revela um empobrecimento emocional e relacional, pois quem não suporta ser frustrado, dificilmente aprende com as experiências. O imediatismo, aliado à busca por uma felicidade constante, tem nos tornado menos empáticos e mais reativos, afastando-nos da possibilidade de amadurecimento emocional. Diante desse cenário, é necessário refletir: Que tipo de pessoa estamos nos tornando? Para onde vamos quando fugimos de qualquer sentimento que não seja prazeroso? Talvez seja hora de resgatar a importância da paciência, da escuta e da aceitação dos limites. Aprender a lidar com a frustração e a crítica é também aprender a viver de forma mais humana, reconhecendo que a felicidade verdadeira não está na ausência de dor, mas na capacidade de conviver com ela e seguir crescendo. Cuide-se!

  • Você é acumulador ou desatento?

    Dificuldade em descartar, acúmulo e desorganização são vistos como sinais de TDAH. Mas seria desatenção? Enviado por: Jonatas Oliveira Algumas pessoas interpretam a dificuldade persistente em descartar ou se desfazer de pertences, o acúmulo excessivo e a desorganização do espaço como sinais de TDAH. Mas será que é desatenção mesmo? O Transtorno de Acumulação Compulsiva (TAC) é compreendido como uma perturbação do espectro obsessivo-compulsivo, mas sua fenomenologia é distinta: envolve dificuldades severas na tomada de decisão, atribuição afetiva excessiva a objetos e padrões de organização profundamente disfuncionais. Pessoas com TDAH podem ter problemas para planejar onde guardar itens, categorizar objetos ou manter rotinas de limpeza, o que leva a uma desordem crônica. Pessoas com TAC sentem uma forte necessidade de manter itens, mesmo que pareçam inúteis ou sem valor para os outros, devido a um apego emocional ou à crença de que serão necessários no futuro. A “confusão” de sinais e sintomas para um diagnóstico acontece quando muitas características estão presentes: ansiedade generalizada, TDAH (especialmente o subtipo desatento), transtornos do humor e histórico de perda traumática , por exemplo. Clinicamente, tratar um quadro complexo exige o reconhecimento da evolução crônica, do agravamento por isolamento social, da vergonha e da resistência a intervenções familiares coercitivas, entre outros fatores. Por isso é tão importante evitar o autodiagnóstico. Não é tão simples assim. Identificando as diferenças... A dificuldade de manter a atenção e a percepção de que um objeto existe mesmo quando fora do campo de visão faz com que muitos itens sejam deixados à vista para serem lembrados, resultando em desordem. Isso no TDAH. No TAC, o acúmulo de objetos causa superlotação dos ambientes, impedindo que sejam utilizados para seus propósitos originais (como cozinhar, dormir ou se exercitar). No TDAH, tarefas consideradas monótonas ou que exigem esforço mental contínuo, como organizar ou descartar objetos, são frequentemente adiadas (procrastinadas), e a impulsividade pode levar à compra excessiva de itens, mesmo sem necessidade real ou espaço para eles. No TAC, a acumulação provoca sofrimento significativo, vergonha, isolamento social e prejuízos nas esferas social, relacional, financeira, de higiene e ambiental. A superlotação pode criar riscos como incêndios, quedas, acidentes e condições insalubres. Todos os casos merecem atenção e cuidado. Nos dois casos (TDAH e TAC), observa-se a formação de um cenário caótico marcado pela dificuldade do indivíduo em lidar com questões que, para outras pessoas, parecem simples: planejar e organizar. O planejamento e a organização se perdem na ausência de limites claros ou no esquecimento gerado pela clássica procrastinação. As diferenças marcantes estão na motivação, nos sentimentos e no conteúdo observado. Por exemplo, uma pessoa com TDAH pode acumular papéis no escritório por não conseguir concluir todas as tarefas do cotidiano. Os mesmos papéis podem ser guardados de forma acumulativa por alguém com TAC, mas nesse caso devido ao peso sentimental atribuído ou a uma necessidade irreal. Não podemos julgar o sofrimento, pois há prejuízos em qualquer um dos cenários. E ambos precisam de ajuda para lidar com sentimentos e comportamentos. Na prática clínica, o tratamento do TDAH pode mitigar drasticamente a desorganização e o acúmulo secundário. Se houver diagnóstico comórbido de TAC, a intervenção deve ser mais específica e intensiva, com foco na reestruturação cognitiva sobre o valor dos objetos. O mais importante é não negligenciar o momento em que se precisa de cuidado.

  • Permita-se compartilhar o que sente.

    Se não podemos contar com quem amamos, com quem dividimos a vida, com quem mais poderíamos? Enviado por: Jéssyca Martins Até quando você vai guardar tudo aí dentro? Essa pergunta ecoa em muitos corações cansados de conter o que sentem. É comum ouvirmos frases como “venho guardando tudo só para mim há anos”, “não quero preocupar minha família” ou “não choro na frente dos meus filhos”. Mas, ao tentar proteger os outros das nossas dores, acabamos nos afastando deles, e, muitas vezes, de nós mesmos. O medo de ser um fardo, de demonstrar vulnerabilidade ou de ser julgado, faz com que muitas pessoas silenciem suas emoções. Contudo, o silêncio prolongado não cura; ele pesa. Guardar demais é como encher um copo que, cedo ou tarde, transborda.  Se não podemos contar com quem amamos, com quem dividimos a vida, com quem mais poderíamos? As relações verdadeiras se fortalecem quando há espaço para o afeto, a escuta e também para a dor. Além disso, é importante lembrar que a reciprocidade é a base de qualquer vínculo saudável. Se você se mostra presente quando o outro precisa, por que acreditar que não merece o mesmo cuidado? Amar também é permitir-se ser cuidado. Falar, chorar e pedir ajuda não são sinais de fraqueza, são expressões de humanidade. Guardar tudo pode parecer um ato de força, mas, na verdade, é uma forma silenciosa de sofrimento. Permita-se compartilhar o que sente, abrir espaço para o diálogo e acolher o próprio coração. As relações só se tornam verdadeiramente significativas quando há troca, quando o “estou aqui por você” vale nos bons e nos maus momentos. Afinal, cuidar um do outro é o que torna o viver mais leve e o amor mais real.

  • Meu psicólogo me encaminhou para a psiquiatria. E agora?

    Você recebeu uma recomendação para iniciar o uso de medicação em conjunto com seu tratamento psicológico? Aqui estão algumas informações importantes: Enviado por: Jonatas Oliveira Em primeiro lugar, o uso de medicamentos psicotrópicos é uma das ferramentas mais importantes no cuidado em saúde mental. Eles atuam diretamente sobre os neurotransmissores, que são substâncias químicas responsáveis pela comunicação entre os neurônios e que auxiliam na regulação de processos emocionais, cognitivos e fisiológicos. Em muitos tratamentos, esse “encaminhamento” é essencial e acontece em conjunto com o acompanhamento psicológico que garante a segurança e eficácia do tratamento de modo geral. O que o médico psiquiatra receitou? Ansiolíticos e Calmantes: São medicamentos que agem potencializando a ação do GABA (ácido gama-aminobutírico) , o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central (SNC) .  O GABA tem efeito depressor sobre a atividade cerebral, ajudando a reduzir a agitação, induzir o sono e proporcionar sensação de relaxamento. O que vai acontecer? Como resultado, os sintomas físicos e psíquicos da ansiedade (tremores, sudorese, taquicardia, pensamentos acelerados, dificuldade de concentração e sensação de desprazer) tendem a diminuir. No entanto, o uso prolongado dos benzodiazepínicos  não é recomendado. Eles podem levar à tolerância  (quando o corpo passa a precisar de doses maiores para obter o mesmo efeito), exigindo cuidado rigoroso na prescrição e na retirada gradual, sempre sob supervisão médica. Por isso, é importante seguir as orientações profissionais. Se você vai usar Antidepressivos: Saiba que eles atuam principalmente sobre dois neurotransmissores fundamentais para o equilíbrio emocional: serotonina  e noradrenalina . Diferentemente do que muitos pensam, esses medicamentos não provocam uma “falsa alegria”, mas restabelecem o equilíbrio do humor  para que emoções como tristeza ou euforia sejam vivenciadas dentro de limites saudáveis. O objetivo dos antidepressivos é evitar que a pessoa permaneça em estados de sofrimento intenso, desproporcional ou sem motivo aparente, caracterizados por sintomas como perda de apetite, insônia, crises de choro, culpa excessiva, dificuldade de concentração ou desinteresse generalizado. Embora sejam frequentemente prescritos em casos de depressão , também podem auxiliar no tratamento de transtornos de ansiedade , TOC , transtornos alimentares  e transtornos do pânico . Seu efeito, no entanto, é gradual  e costuma aparecer após cerca de quatro semanas  de uso contínuo. Por isso, em alguns casos, são combinados temporariamente com benzodiazepínicos para o controle inicial dos sintomas. E, se no seu caso, houve a inserção de Antipsicóticos: Eles bloqueiam a ação de determinados neurotransmissores, especialmente a dopamina , relacionada à motivação, ao prazer e à sensação de recompensa. Essa regulação é fundamental em quadros psicóticos , em que há distorções significativas da realidade. Esses medicamentos ajudam a controlar sintomas como alucinações auditivas  (vozes que criticam, insultam ou ordenam comportamentos) e delírios , frequentemente de cunho persecutório, nos quais a pessoa acredita estar sendo vigiada, enganada ou vítima de conspirações. Seu uso deve ser monitorado cuidadosamente, pois atua em funções cerebrais complexas e pode causar efeitos colaterais significativos se utilizado de forma inadequada. Mais uma vez: é necessário acompanhamento profissional! Para não esquecer! A medicação deve ser parte de um plano terapêutico amplo , que inclua acompanhamento psicológico, estratégias de autocuidado, mudanças de hábitos e suporte social. Medicamentos não substituem o processo terapêutico, mas o complementam , quando bem indicados e monitorados. Igualmente, terapia não anula a necessidade de medicação. Quando o quadro clínico requer mais do que as intervenções psicológicas, é importante não ignorar. Não fique com dúvidas. Pergunte, peça para repetir, informe-se, só não deixe de se cuidar como você merece e precisa.

  • Presentes no presente.

    De que maneira o progresso tecnológico e a cultura do imediatismo afetam nossa capacidade de nos mantermos presentes no momento atual? Enviado por: Jéssyca Martins Vivemos em uma era em que as telas nos cercam por todos os lados: celulares cada vez mais tecnológicos, tablets, notebooks e até relógios digitais que nos mantêm conectados o tempo todo. Sem perceber, fomos sendo tomados pela lógica da produtividade, aquela que nos convence de que não podemos parar, de que o valor está em fazer sempre mais. Nesse movimento, acabamos nos desconectando de nós mesmos. Tornamo-nos parte de uma sociedade que não tem tempo para simplesmente ser, existir e sentir. A pressa cotidiana nos atropela e, na tentativa de dar conta de tudo, deixamos de acolher o que há dentro de nós. Quando surge a tristeza, tentamos abafá-la; quando aparece a raiva, buscamos escondê-la. Mas será que é permitido sentir? No processo psicoterapêutico, especialmente sob uma abordagem fenomenológica, há um convite para o encontro consigo mesmo, um espaço em que o outro pode se ver, se acolher e simplesmente ser. Essa experiência é profundamente valiosa, pois nos lembra que não é possível ultrapassar as emoções que julgamos negativas sem antes reconhecê-las. Vivemos em uma cultura que responde automaticamente ao “tudo bem?”, sem realmente refletir sobre o que sente. Talvez porque a escuta verdadeira, tanto de si quanto do outro, requeira um tempo que já não nos damos mais. Qual é o tempo que você reserva para si no cotidiano? Apenas no fim de semana? Ou nem isso? A dificuldade de pausar para si revela também a dificuldade de pausar para o outro. Assim, multiplicam-se pessoas excessivamente ansiosas, que não esperam, não respiram, não sentem, apenas seguem. Retomar o contato com o próprio sentir é um ato de coragem em tempos de pressa. Parar não é perder tempo: é reencontrá-lo. Ao nos permitirmos viver o que sentimos, abrimos espaço para uma existência mais autêntica e humana. Em meio ao ruído das telas e da produtividade, talvez o maior gesto de resistência seja aprender a estar, verdadeiramente, presentes em nós mesmos.

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