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  • Como desenvolver autocontrole de forma prática e consistente?

    Resistir às tentações imediatas é um desafio comum, especialmente em contextos de impulsividade, hábitos desadaptativos ou uso de substâncias. Em muitos casos, o desejo por uma recompensa rápida pode se sobrepor a objetivos de longo prazo, gerando frustração e sensação de perda de controle. A psicologia e as neurociências explicam esse fenômeno por meio da interação entre dois modos de funcionamento mental: um mais automático, emocional e orientado ao prazer imediato, e outro mais reflexivo, associado ao planejamento e à tomada de decisão consciente. Esses modos não são “partes isoladas do cérebro”, mas sistemas funcionais que operam de forma integrada. Compreender essa dinâmica é um passo importante para desenvolver autocontrole, fortalecer a autoconfiança e construir estratégias mais eficazes de enfrentamento. Como funcionam os sistemas de impulso e regulação: De forma didática, podemos compreender dois padrões principais de resposta: Sistema impulsivo (rápido e emocional) Responde de forma imediata a estímulos prazerosos ou ameaçadores. Está relacionado à busca por alívio rápido, recompensa e redução de desconforto. Sistema reflexivo (lento e deliberado) Permite avaliar consequências, planejar ações e sustentar objetivos de longo prazo. Está associado às funções executivas, como controle inibitório e tomada de decisão. Na prática, esses sistemas atuam de forma integrada. O que ocorre em situações de impulsividade é uma predominância do processamento automático, especialmente em contextos de estresse, cansaço ou sobrecarga emocional. O que fortalece o autocontrole na prática? O autocontrole não depende apenas de “força de vontade”. Trata-se de uma habilidade que pode ser desenvolvida com estratégias consistentes e contextualizadas. Definir metas claras e específicas: Objetivos amplos tendem a ser menos eficazes. Metas concretas e mensuráveis aumentam a previsibilidade e facilitam a tomada de decisão no dia a dia. Exemplo: substituir “quero parar” por “evitar determinados contextos em dias específicos”. Identificar gatilhos comportamentais: Reconhecer situações, emoções e ambientes que aumentam a vulnerabilidade é fundamental. Fatores comuns incluem: Estresse; Privação de sono; Conflitos interpessoais; Exposição a contextos de risco. Esse mapeamento permite antecipação e planejamento. Criar uma pausa entre impulso e ação Técnicas simples de regulação, como respiração consciente, ajudam a reduzir a reatividade imediata. O objetivo não é “eliminar o impulso”, mas aumentar o intervalo entre sentir e agir, favorecendo escolhas mais alinhadas aos objetivos pessoais. Utilizar estratégias de substituição Redirecionar o comportamento é mais eficaz do que apenas tentar suprimi-lo. Exemplos: Caminhar Ouvir música Realizar uma tarefa breve Entrar em contato com alguém de confiança Essas práticas nos ajudam a criar um espaço entre o impulso e a ação, onde podemos escolher o que fazer. Autoconhecimento como base do autocontrole: O autoconhecimento permite compreender padrões internos e reconhecer limites reais de funcionamento. Na prática, isso envolve: identificar momentos de maior vulnerabilidade, compreender reações emocionais recorrentes, e ajustar estratégias conforme o contexto. É importante considerar que a dificuldade em resistir a impulsos não é sinal de fraqueza, mas parte do funcionamento humano diante de sistemas de recompensa e regulação. Autoconfiança e mudança comportamental: A autoconfiança tende a se desenvolver a partir de experiências concretas de sucesso, mesmo que pequenas. Estratégias úteis incluem: Reconhecer progressos consistentes Pequenas conquistas indicam capacidade de mudança e devem ser valorizadas. Reduzir autocrítica excessiva Recaídas podem ocorrer e são compatíveis com modelos de mudança comportamental. O foco deve estar no aprendizado e no ajuste de estratégias. Buscar apoio social ou profissional Intervenções psicológicas e grupos de apoio ampliam recursos de enfrentamento e aumentam a adesão às mudanças. O papel do autocuidado na regulação dos impulsos: O autocuidado influencia diretamente a capacidade de autorregulação, pois afeta funções cognitivas e emocionais. Dê atenção aos destaques a seguir: Sono adequado A privação de sono compromete atenção, tomada de decisão e controle inibitório. Alimentação equilibrada Oscilações metabólicas podem impactar energia, humor e capacidade de regulação em algumas pessoas. Atividade física regular Associada à redução do estresse e melhora do funcionamento cognitivo global. Momentos de descanso e lazer Reduzem sobrecarga mental e favorecem o equilíbrio emocional. Estratégias práticas para o dia a dia: Planejar situações de risco com antecedência Criar alternativas comportamentais viáveis Utilizar técnicas de respiração e regulação emocional Registrar padrões e progressos (diário ou anotações) Buscar acompanhamento psicológico quando necessário ...Mantendo o foco no longo prazo A clareza de propósito contribui para sustentar mudanças. Objetivos como saúde, autonomia e qualidade de vida funcionam como referências importantes em momentos de decisão. Recursos visuais, lembretes e organização do ambiente podem ser usados para facilitar esse processo. Além disso, é fundamental reconhecer que a mudança comportamental é gradual e exige consistência ao longo do tempo. Resistir às tentações não depende exclusivamente de força de vontade, mas do desenvolvimento de habilidades de autorregulação, do fortalecimento de estratégias práticas e do cuidado com as condições que sustentam o equilíbrio emocional e cognitivo. A interação entre impulsos e reflexão pode ser modulada ao longo do tempo, tornando o comportamento mais alinhado aos objetivos pessoais e à construção de uma vida com maior estabilidade e qualidade. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jonatas Mackson Silva de Oliveira

  • Toda emoção tem uma função.

    Toda emoção tem uma função. Mas por que é tão difícil lidar com algumas delas? A gente cresce aprendendo, mesmo que indiretamente, que existem emoções “boas” e emoções “ruins”. Felicidade e calma são bem-vindas. Já ansiedade, raiva ou tristeza parecem algo que deveria ser evitado, controlado ou até eliminado. Mas, do ponto de vista psicológico, isso não se sustenta. Todas as emoções são adaptativas — ou seja, elas existem porque têm uma função importante para a nossa sobrevivência e para a forma como nos relacionamos com o mundo. A ansiedade , por exemplo, não está ali por acaso. Ela prepara o corpo para lidar com possíveis ameaças, aumenta o estado de alerta e nos ajuda a antecipar riscos. A raiva costuma surgir quando percebemos que um limite foi ultrapassado ou quando algo é injusto — ela mobiliza energia para nos posicionarmos. A tristeza aparece diante de perdas e frustrações, ajudando no processo de elaboração e também sinalizando para o outro que precisamos de apoio. Até a culpa tem uma função: ela nos orienta socialmente, mostrando quando nossos comportamentos não estão alinhados com nossos valores. Ou seja, o problema não está em sentir. O sofrimento, na maioria das vezes, está na forma como aprendemos a lidar com o que sentimos. Muitas pessoas tentam evitar emoções desconfortáveis, se distraindo o tempo todo, reprimindo o que sentem ou até se criticando por estarem daquele jeito. Só que, embora isso possa aliviar momentaneamente, não resolve de fato. Emoções não processadas não desaparecem — elas tendem a voltar, muitas vezes com mais intensidade. Esse padrão é bem conhecido na psicologia como evitação emocional , e sabemos que ele está associado à manutenção de diversos quadros de sofrimento psicológico. Por isso, na terapia, a proposta não é eliminar emoções difíceis, mas aprender a se relacionar melhor com elas. Em vez de lutar contra o que você sente, o caminho é começar a observar: “O que estou sentindo agora?” “Faz sentido eu me sentir assim diante do que aconteceu?” “O que essa emoção está tentando me mostrar?” Emoções difíceis não são inimigas. Elas são sinais. Você não precisa gostar de todas elas. Mas quando aprende a escutá-las, algo muda — e o sofrimento deixa de ser um ciclo automático e passa a ser uma experiência que pode ser compreendida e transformada. Agende a sua sessão. Entre em contato. Cuide-se bem. Lorena Pessoa Fidelis

  • Aprenda a usar a respiração!

    Aprenda a usar a respiração para reduzir o estresse, melhorar o foco e favorecer a autorregulação. A respiração é uma função natural e automática do organismo, mas também pode ser regulada de forma consciente. Essa dupla característica faz dela um recurso simples, acessível e potencialmente útil para influenciar o estado físico e emocional no cotidiano. Quando a respiração se torna muito curta, acelerada ou irregular, o corpo pode permanecer em um padrão de maior ativação. Já quando o ritmo respiratório desacelera e ganha regularidade, tende a favorecer respostas fisiológicas mais compatíveis com relaxamento, atenção e recuperação. Exercícios respiratórios Do ponto de vista fisiológico, exercícios respiratórios têm sido estudados como estratégias complementares para reduzir estresse e ansiedade, especialmente quando associados a práticas regulares de cuidado. Na prática, respirar com consciência pode funcionar como uma forma de aterramento. Isso significa trazer a atenção de volta ao corpo e ao momento presente, reduzindo, ainda que temporariamente, a sensação de pressa interna, dispersão ou sobrecarga mental. Por esse motivo, técnicas respiratórias costumam ser úteis antes de uma atividade importante, em momentos de irritação, ansiedade, cansaço mental, dificuldade de concentração ou na preparação para o sono. Autorregulação emocional Outro ponto relevante é a contribuição dessas práticas para a autorregulação emocional. Elas não eliminam sentimentos difíceis nem substituem processos psicoterapêuticos, mas podem diminuir a intensidade da ativação corporal que acompanha o estresse. Com isso, a pessoa pode ganhar melhores condições para nomear o que sente, organizar a experiência interna e responder com mais consciência à situação vivida. Também é importante reconhecer que nem toda técnica funciona da mesma maneira para todas as pessoas. Algumas propostas são mais calmantes; outras, mais estimulantes. Além disso, certas práticas com retenção do ar ou ritmo mais intenso podem ser desconfortáveis para quem está muito ansioso, com sintomas respiratórios ou com maior sensibilidade corporal. Por isso, o mais indicado é começar com exercícios simples, sem forçar o corpo, observando como você se sente durante e após a prática. Respiração consciente Com repetição e ajuste individual, a respiração consciente pode se tornar uma ferramenta cotidiana de cuidado. Não se trata de executar perfeitamente, mas de desenvolver escuta corporal, constância e discernimento sobre quais estratégias ajudam em cada contexto. As práticas respiratórias podem contribuir para reduzir sinais de estresse e agitação corporal; favorecer relaxamento e sensação subjetiva de segurança; melhorar foco e organização interna; apoiar o manejo da ansiedade e da irritabilidade; ampliar a consciência corporal e emocional; e criar pausas breves de cuidado ao longo da rotina. Agora pratique! A seguir, apresento exercícios simples que podem ser usados como recursos de bem-estar e autorregulação. 1) Pausa com "calor e escurecimento" Esfregue as mãos rapidamente até aquecê-las. Coloque as palmas suavemente sobre os olhos fechados, sem pressionar. Inspire e expire de forma lenta por alguns ciclos. Quando usar: em momentos de cansaço mental, excesso de estímulos ou necessidade de pausa breve. 2) Respiração curta pelo nariz com saída lenta Inspire três vezes de forma breve e suave pelo nariz. Depois, solte o ar devagar pela boca. Repita por alguns ciclos, sem forçar. Quando usar: para retomar a atenção e reduzir agitação. Atenção: se provocar tontura, desconforto ou sensação de falta de ar, interrompa. 3) Expiração com movimento corporal Inspire profundamente pelo nariz. Incline levemente o corpo para a frente. Solte o ar pela boca de forma prolongada, como se estivesse liberando tensão. Quando usar: após momentos de irritação, sobrecarga ou tensão acumulada. 4) Respiração com apoio sensorial Escolha um aroma suave e agradável, como o de uma fruta cítrica. Inspire pelo nariz percebendo o cheiro. Expire lentamente pela boca. Repita algumas vezes. Quando usar: para favorecer concentração e aterramento. 5) Expiração longa com som Inspire de forma confortável. Se quiser, faça uma pausa breve, sem esforço. Solte o ar lentamente produzindo um som contínuo, como “ssss”. Quando usar: para desacelerar e organizar o ritmo respiratório. Atenção: a retenção do ar não é obrigatória. Para muitas pessoas, expirar lentamente já é suficiente. 6) Respiração guiada com os dedos Use os dedos da mão para acompanhar a sequência da respiração. Ao tocar um dedo, inspire. Ao tocar o próximo, expire. Siga alternando inspiração e expiração até completar a mão e recomece. Quando usar: com crianças, em momentos de ansiedade ou para facilitar foco no presente. Cuidados importantes As técnicas de respiração são recursos de promoção de bem-estar e autorregulação. Elas podem ajudar no manejo de sintomas leves e no cuidado cotidiano, mas não substituem acompanhamento profissional quando houver sofrimento psíquico intenso, persistente ou prejuízos importantes na rotina. Em quadros de ansiedade grave, crise de pânico, trauma, doenças respiratórias ou desconforto recorrente durante os exercícios, a orientação individualizada é recomendada. Se você percebe que precisa de mais do que técnicas pontuais e deseja compreender com maior profundidade o que está vivendo, o acompanhamento psicológico pode ser um espaço importante de cuidado. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jonatas Mackson Silva de Oliveira

  • Não aguento mais ser resiliente!

    Não aguento mais ser resiliente! Ser resiliente cansa porque, em muitas histórias de vida, a resiliência não começou como virtude. Começou como falta de alternativa. Não foi algo aprendido com tempo, orientação e chão firme; foi uma resposta automática quando falhar não era permitido. Quando a vida pede adaptação contínua às perdas, às negligências, às rupturas, às instabilidades… a gente até se reorganiza, sim, mas quase sempre sem a pausa necessária para entender o que aconteceu por dentro. Vai juntando as coisas “como dá”, e segue. E um belo dia escuta alguém dizer: Como você é resiliente! Você é forte. Engole o choro! Do ponto de vista psicológico, esse tipo de “resiliência” costuma andar de mãos dadas com um estado prolongado de alerta. A mente aprende a antecipar o pior, o corpo mantém uma prontidão e as emoções são administradas com pressa. É a dinâmica do “Engole o choro e faça o que tem que fazer!”. Isso funciona para atravessar uma crise, mas cobra o preço da tensão virando cenário corriqueiro, o descanso virando luxo, o cuidado ficando pra depois e o depois nunca chegando. Isso consome energia emocional de um jeito que nem sempre aparece por fora. Quem precisou ser forte cedo aprende a se reconhecer mais pela capacidade de aguentar do que pelo direito de sentir. Em algum momento, a dor vira algo a ser administrado, não acolhido. Então, a pessoa é elogiada pela força, mas pouco cuidada na fragilidade. A resiliência pode virar uma armadura que nos protege, mas nos custa caro. E, como toda armadura, também limita os movimentos nos impedindo de pedir ajuda com naturalidade, dificultando a admissão do cansaço e tornando constrangedor saber que a gente também precisa de alguém. Tudo tem limite! O discurso do “dar conta” costuma soar bonito, mas frequentemente apaga o custo subjetivo. Como se o mérito de continuar fosse maior do que a necessidade de amparo. Como se descansar fosse fraqueza. Acontece que nenhum organismo sustenta adaptação permanente sem adoecer, seja no corpo, seja no humor, seja nas relações. Há um limite fisiológico e um limite existencial. Não precisamos endurecer até virar pedra. Precisamos distinguir o que está sob nosso controle do que não está, e agir com lucidez dentro desse recorte. Coragem, nessa perspectiva, não é viver no modo sobrevivência, e sim escolher a resposta possível sem mentir para si mesmo sobre o que doeu. Aceitar o que não se pode mudar não significa achar bom, nem romantizar a perda. Significa não desperdiçar a própria vida brigando com o fato consumado, e, ao mesmo tempo, não confundir dignidade com ignorar as próprias limitações. Ser resiliente não é indesejável. Quando nos cansamos dessa armadura é porque o desenvolvimento saudável também inclui previsibilidade, acolhimento e segurança emocional. Viver sem precisar ser resiliente o tempo todo é poder baixar a guarda sem que o mundo desabe e sentir nossas emoções sem a obrigação imediata de “tirar uma lição”. É poder compartilhar a dor, em vez de convertê-la apressadamente em desempenho. A maturidade emocional aparece menos como capacidade de suportar sempre e mais como capacidade de alternar. Às vezes, sustentar; às vezes, recuar; às vezes, pedir colo; às vezes, dizer “não dá agora”. Saúde mental inclui o direito à vulnerabilidade, à dependência eventual e ao cuidado recebido. Resiliência é valiosa quando é escolha e recurso . Quando vira imposição, ela, com frequência, empurra necessidades profundas para um canto escuro da vida. É bom receber aplausos por ser forte, mas é perfeito quando recebemos cuidado em nossas vulnerabilidades. É bom resolver as coisas sem incomodar outras pessoas, mas é perfeito saber com quem podemos contar e não ter medo de pedir ajuda. Porque viver pode ter dificuldade, pode ter perda, pode ter dor, mas não deve ser, continuamente, um exercício de sobrevivência. Você merece cuidado. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jonatas Mackson Silva de Oliveira

  • Por que evitar emoções pode aumentar o sofrimento?

    Aceitação não é gostar do que dói. Existe uma ideia muito difundida de que aceitar algo significa concordar, gostar ou ficar em paz imediatamente com o que aconteceu. Na prática clínica, isso gera muita confusão — e bastante sofrimento desnecessário. Quando falamos em aceitação dentro das terapias baseadas em evidências, não estamos falando de resignação passiva nem de “positividade forçada”. Estamos falando de algo mais sutil e, ao mesmo tempo, mais poderoso: disposição para entrar em contato com a própria experiência emocional. Ninguém gosta de vivenciar a morte de uma pessoa querida, uma rejeição, uma frustração importante ou um momento de ansiedade intensa. E tudo bem que seja assim. Emoções desagradáveis fazem parte do funcionamento humano saudável. O custo da evitação emocional Muitas pessoas aprendem, ao longo da vida, que emoções difíceis devem ser evitadas, controladas ou eliminadas o mais rápido possível. Isso pode aparecer de várias formas: Tentar se distrair o tempo todo para não entrar em contato com o que sente; Buscar apenas pensamentos positivos para “anular” a dor; Evitar situações que possam gerar desconforto emocional; Criticar a si mesmo por estar triste, ansioso ou frustrado; Embora essas estratégias possam trazer alívio no curto prazo, a literatura psicológica mostra de forma consistente que a evitação experiencial tende a manter ou até intensificar o sofrimento ao longo do tempo. Isso acontece porque emoções não processadas costumam retornar — muitas vezes com mais intensidade — além de reduzir a flexibilidade comportamental da pessoa. Aceitação como disposição: Por isso, em vez de pensar aceitação como “gostar do que aconteceu”, uma formulação mais precisa é entendê-la como disposição. Aceitar, nesse contexto, é: Reconhecer o que está sentindo; Nomear a emoção presente; Permitir que a experiência exista sem uma luta imediata para eliminá-la; Manter-se engajado na vida apesar do desconforto. É importante destacar: aceitar não é se afundar na dor nem desistir de mudar o que pode ser mudado. Aceitação e mudança não são opostas — elas frequentemente caminham juntas. Quando a pessoa para de gastar tanta energia lutando contra a própria experiência interna, sobra mais recurso psicológico para agir de forma efetiva no mundo. Emoções difíceis fazem parte da natureza humana Sentir tristeza diante de uma perda, ansiedade diante de algo importante ou frustração após um fracasso não é sinal de fraqueza — é sinal de que o sistema emocional está funcionando. A proposta terapêutica não é eliminar o sofrimento humano (o que seria impossível), mas reduzir o sofrimento desnecessário criado pela luta interna constante. Em outras palavras: não se trata de não sofrer, e sim de sofrer com menos rigidez, menos autocrítica e mais flexibilidade psicológica. Caminhos práticos para começar Algumas perguntas simples podem ajudar a desenvolver mais abertura emocional no dia a dia: O que exatamente estou sentindo agora? Onde percebo isso no meu corpo? Se essa emoção pudesse falar, o que ela diria? O que eu preciso neste momento para cuidar de mim de forma saudável? Essas perguntas não eliminam a dor imediatamente — mas frequentemente mudam a relação que a pessoa tem com ela. E essa mudança de relação já é, por si só, profundamente terapêutica. Para levar com você: Você não precisa gostar do que dói. Você não precisa se forçar a estar bem o tempo todo. Mas desenvolver disposição para sentir — com gentileza e consciência — costuma ser um dos caminhos mais consistentes para uma vida emocional mais saudável e flexível. Agende a sua sessão. Entre em contato. Cuide-se bem. Lorena Pessoa Fidelis

  • Como as dificuldades nos relacionamentos afetam a saúde mental?

    Como as dificuldades nos relacionamentos afetam a saúde mental? Os problemas de relacionamento não são apenas “questões emocionais passageiras”. Quando conflitos se tornam frequentes, quando há ausência de apoio, desqualificação constante e isolamento ou violência, o impacto pode ser clínico e progressivo. A literatura mostra que a qualidade das relações tem efeito direto sobre sintomas de ansiedade, depressão, estresse e sofrimento psíquico. Em outras palavras, não é somente “estar em um relacionamento” que importa, mas como esse vínculo funciona no cotidiano. Relacionamentos difíceis adoecem? As relações íntimas e familiares são fontes centrais de regulação emocional. Em vínculos saudáveis, encontramos acolhimento, previsibilidade e suporte para lidar com estressores. Destaca-se que relações estáveis e de apoio ajudam no enfrentamento de desafios e que a conexão social favorece o melhor manejo para estresse, ansiedade e depressão. Em vínculos conflituosos, ocorre o oposto: aumento de tensão, insegurança emocional e desgaste contínuo. Além disso, sabe-se que o estresse conjugal pode afetar vias psicológicas, comportamentais e até biológicas, com repercussões em saúde mental e física ao longo do tempo. As discussões recorrentes, o tom hostil, críticas constantes, humilhação e a ausência de reparação emocional tendem a produzir estado de alerta persistente. Esse padrão favorece irritabilidade, ansiedade, exaustão emocional e a piora da autoestima. A falta de escuta, validação e presença em momentos de vulnerabilidade aumenta a sensação de abandono e desamparo, especialmente em fases de crise. Muitas pessoas relatam sofrimento por “estar com alguém e, ao mesmo tempo, sentir-se sozinhas”. Esse tipo de experiência costuma gerar confusão, autoculpabilização e redução da percepção de suporte. O cenário fica ainda pior quando há violência, pois o risco à saúde mental aumenta de forma significativa. A associação entre violência e depressão, transtorno de estresse pós-traumático, outros transtornos de ansiedade, dificuldades de sono e tentativas de autolesão é real. Esse cenário exige atenção imediata, porque o sofrimento deixa de ser apenas relacional e passa a envolver risco, trauma e necessidade de proteção. O que costuma chegar ao consultório como sinais de alerta: Ansiedade antecipatória antes de interações com a pessoa da relação. Sensação de estar “pisando em ovos”. Queda de autoestima e autoconfiança. Culpa excessiva e autocensura. Tristeza persistente ou crises de choro. Irritabilidade e esgotamento. Alterações de sono e apetite. Isolamento social progressivo. Dificuldade de concentração no trabalho ou estudos. Medo, controle, humilhação ou ameaças. O que protege a saúde mental nos relacionamentos? Relações de boa qualidade funcionam muito bem! Para manter um cenário saudável é preciso comunicação clara e respeitosa, capacidade de reparar conflitos, apoio emocional mútuo, limites saudáveis, segurança psicológica e corresponsabilidade no cuidado da relação. A psicoterapia pode ajudar a diferenciar conflito pontual de padrão disfuncional, reorganizar limites, fortalecer recursos emocionais e construir formas mais saudáveis de vínculo, inclusive quando a decisão envolve permanência, mudança de dinâmica ou saída da relação. Quando há suporte adequado, intervenção psicológica e rede de proteção, é possível interromper ciclos de adoecimento e reconstruir formas mais seguras de se relacionar. Em situações de violência contra a mulher, o Ligue 180 funciona 24h para orientação, acolhimento e encaminhamento de denúncias. Relacionamentos não devem ser motivo de adoecimento. Na verdade, precisamos construir vínculos que também sejam caminhos de cuidado. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jonatas Mackson Silva de Oliveira

  • Resolva!

    Resolva! Foi essa a palavra que escutei outro dia, em tom de brincadeira. Mas ela me fez pensar. Quantas vezes esperamos que o outro resolva aquilo que é nosso? Quantas vezes terceirizamos decisões, sentimentos e conflitos, como se alguém pudesse viver por nós? Essa pequena palavra carrega uma grande responsabilidade: assumir o protagonismo da própria vida. Quando pedimos que o outro resolva algo que nos pertence, saímos do nosso lugar de autoria. É como se entregássemos a direção da nossa história a alguém. Mas quem melhor do que você para compreender suas dores, seus limites, seus desejos e suas escolhas? Inclusive, quando você pede que o outro resolva a sua vida, corre o risco de ficar à mercê de invasões, manipulações ou até situações de violência. A psicoterapia não é um espaço onde o profissional “resolve” a sua vida. Pelo contrário: é um espaço onde você é constantemente convidado a olhar para si, a refletir sobre suas atitudes, padrões, relações e decisões. É um processo de responsabilização, não de delegação. E isso não significa que, ao entrar em terapia, seus problemas desaparecerão magicamente. Pessoas difíceis continuarão existindo. Situações desafiadoras também. Frustrações fazem parte da experiência humana. Aliás, que mundo é esse onde tudo é magnífico o tempo inteiro? Ele existe ou está apenas nas nossas idealizações? Somos sujeitos atravessados por histórias, famílias, cultura, genética, experiências e afetos. Cada um carrega sua própria complexidade. Resolver não é eliminar o conflito, mas aprender a se posicionar diante dele com mais consciência, maturidade emocional e autonomia. “Resolva” não é uma ordem para fazer tudo sozinho, é um convite para assumir o seu lugar na própria vida. É compreender que, embora não possamos controlar tudo o que acontece, podemos escolher como nos colocamos diante do que nos atravessa. A psicoterapia não entrega respostas prontas. Ela fortalece você para construir as suas. Porque no fim, protagonizar a própria história é um dos maiores atos de cuidado consigo mesmo. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jéssyca Martins

  • Já falei pra você praticar atividade física?

    Já falei pra você praticar atividade física? Em psicoterapia, é comum o psicólogo sugerir a inclusão de atividade física regular, mesmo quando a queixa principal não é “saúde física”. Para muita gente isso soa desconexo: Se o sofrimento é emocional, por que caminhar, pedalar ou fazer musculação ajudaria? Porque, na prática clínica, movimento corporal não é só “hábito saudável”. Ele funciona como uma intervenção comportamental com efeitos observáveis sobre humor, sono, estresse e autorregulação. Atividade física na conversa terapêutica Atividade física regular se associa a benefícios relevantes para saúde mental, incluindo redução de sintomas depressivos e ansiosos, além de melhorar o bem-estar e o funcionamento geral. Na clínica, isso importa por um motivo simples: sofrimento psíquico costuma afetar corpo e rotina ao mesmo tempo . Quando o paciente recupera um mínimo de vitalidade corporal, frequentemente também melhora a qualidade do sono e sensação de descanso, a clareza cognitiva, a energia e prontidão para agir, a tolerância ao desconforto e à frustração, e a capacidade de sustentar escolhas consistentes (mesmo pequenas). Não precisa começar “intenso” para ser “efetivo” Mesmo modalidades simples e acessíveis, como caminhada, yoga e treino de força, aparecem com bons resultados para sintomas depressivos. Além disso, qualquer movimento conta, e adultos podem buscar uma faixa semanal de atividade aeróbica moderada ou vigorosa, ajustando à sua realidade clínica. Não precisa ser somente “academia” Muitos pacientes traduzem “atividade física” como academia lotada, corrida intensa ou treino pesado. Só que, em psicoterapia, o início costuma ser desenhado para ser simples. Os treinos podem ter um formato "agradável" e tolerável para reduzir barreiras de entrada; para ser sustentável, para não depender de motivação alta; e para ser mensurável, para o paciente perceber avanço real e compatível com o quadro, especialmente em depressão, ansiedade ou esgotamento. Uma caminhada em esteira ou na rua por 10 a 20 minutos, alguns dias na semana, pode ser um começo clinicamente inteligente! Isso reintroduz rotina, dá sensação de domínio, reduz isolamento e cria um compromisso mínimo com o próprio cuidado. Não é milagre, é o corpo em ação! A atividade física pode reduzir hormônios relacionados ao estresse, como cortisol, e favorecer um estado corporal menos reativo ao longo do tempo. Ela se associa a alterações em sistemas neuroquímicos envolvidos em bem-estar e disposição, além de efeitos subjetivos de humor mais estável após prática consistente. E não podemos esquecer da "mãozinha" que uma boa rotina de exercícios dá nas noites de sono! Sono ruim amplifica a vulnerabilidade emocional e cognitiva. Há melhora do sono e redução de estresse com aumento de atividade diária, inclusive as mais simples como passos. Vamos fazer uma inserção do que está no DSM-5-TR: O DSM-5-TR é um manual diagnóstico, não um guia de prescrição terapêutica, e não define “o que fazer” como tratamento. Ainda assim, ele descreve sintomas centrais que, na vida real, são influenciados por sono, energia, ritmo psicomotor e estresse. Transtornos depressivos Sintomas como fadiga, lentificação psicomotora, alterações de sono e queda de interesse tendem a piorar quando o corpo fica em modo de imobilidade. Movimento regular pode atuar como suporte para reativação comportamental e reorganização de rotina. Transtornos de ansiedade Ansiedade frequentemente envolve hiperativação: tensão muscular, aceleração fisiológica e inquietação. O exercício físico pode ajudar a treinar o organismo a regular estados intensos e a reduzir a leitura automática de ativação como ameaça. Transtornos relacionados a trauma e estressores Estar hiperalerta e ter um sono fragmentado aumentam a vulnerabilidade emocional. Intervenções corporais estruturadas, quando bem dosadas, podem favorecer regulação autonômica e um sono mais "recuperador". Comece pequeno! Se a meta é criar aderência, comece pelo mínimo viável: Frequência : 3 dias/semana Duração : 10 a 20 minutos Intensidade : leve a moderada (quando você consegue dizer pequenas frases durante a prática sem ficar ofegante). Regra de ouro: pare ainda com “gostinho de que dá para continuar” Quando estiver estável por 2 a 3 semanas, avance só um parâmetro por vez: tempo ou dias ou intensidade. Lembre-se de que atividade física regular não é “cura mágica”, não substitui psicoterapia e não substitui avaliação médica ou medicação quando indicada. É um recurso protetor e estabilizador, com evidência consistente como componente de promoção de saúde mental e prevenção de recaídas, especialmente quando integrado a um plano terapêutico realista. Se houver limitações clínicas, dor, risco cardiovascular, uso de medicações com impacto fisiológico importante, ou histórico de transtornos alimentares com compulsão por exercício, a recomendação deve ser individualizada e, quando necessário, articulada com equipe de saúde. Por que o psicólogo insiste tanto? Quando o paciente cuida minimamente do corpo, tende a ampliar a capacidade de pensar com mais clareza, regular o humor, dormir melhor e sustentar escolhas que antes pareciam impossíveis. O que o psicólogo está propondo é um ritual mínimo de autocuidado com uma experiência corporal de presença, um treino indireto de disciplina emocional, uma forma prática de estabilização neurofisiológica e uma intervenção comportamental executável, mesmo em dias difíceis! Seu corpo sente, sofre, descansa, relaxa e vibra! Cuidar dele não é um "detalhe" da saúde mental. É parte do tratamento. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jonatas Mackson Silva de Oliveira

  • Diferenças entre Avaliação Psicológica, Neuropsicológica e Psicodiagnóstico.

    Diferenças entre Avaliação Psicológica, Neuropsicológica e Psicodiagnóstico Você já ouviu falar em avaliação psicológica, avaliação neuropsicológica e psicodiagnóstico, mas ficou em dúvida sobre o que cada um significa? Apesar de parecerem iguais, esses processos têm objetivos diferentes e complementares. Entender essas diferenças ajuda a valorizar o cuidado profissional e a importância de uma avaliação bem feita na promoção da saúde mental. A avaliação psicológica é um processo que busca compreender como a pessoa pensa, sente, age e se relaciona. Ela utiliza entrevistas, testes e observações para entender aspectos emocionais, comportamentais, cognitivos e de personalidade, oferecendo uma visão ampla do funcionamento psíquico. Já a avaliação neuropsicológica tem um foco mais específico no funcionamento do cérebro e em como ele influencia habilidades como memória, atenção, linguagem e raciocínio. É muito utilizada em casos de dificuldades de aprendizagem, suspeitas de alterações neurológicas ou após lesões cerebrais. O psicodiagnóstico , por sua vez, integra todos os dados obtidos nas avaliações com o raciocínio clínico do psicólogo. Seu objetivo não é apenas classificar, mas compreender profundamente o funcionamento psicológico da pessoa e orientar o melhor tipo de intervenção. Embora diferentes, esses processos se complementam. A avaliação psicológica oferece uma visão global, a neuropsicológica aprofunda o funcionamento cognitivo e cerebral, e o psicodiagnóstico integra tudo isso em uma compreensão clínica significativa. Juntos, eles possibilitam um cuidado mais humano, preciso e eficaz em saúde mental. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jéssyca Martins

  • Profecia autorrealizável.

    A profecia autorrealizável e o seu "poder" de controlar pensamentos e ações. A ideia de que expectativas podem influenciar diretamente a realidade não é nova. Há décadas, esse fenômeno vem sendo estudado por diferentes áreas do conhecimento, especialmente pela psicologia e pela educação. Na psicologia, esse processo é conhecido como profecia autorrealizável. O termo descreve uma dinâmica na qual uma pessoa desenvolve um pensamento, expectativa ou crença inicialmente distorcida ou não confirmada pela realidade. A partir disso, passa a agir como se essa ideia fosse verdadeira. Esses comportamentos, por sua vez, criam condições que aumentam a probabilidade de o resultado esperado de fato ocorrer, confirmando a crença inicial. Em outras palavras, quando uma ideia passa a ser tomada como real, ela orienta percepções, decisões e atitudes. Com o tempo, o próprio sujeito produz evidências que reforçam aquilo em que acredita. Assim, torna-se cada vez mais difícil questionar a crença, já que “provas” foram sendo construídas ao longo do caminho. Onde a profecia autorrealizável atua? Atualmente, o conceito é amplamente utilizado para compreender o desempenho individual, a organização pessoal, os projetos de vida, os valores e as expectativas em diferentes contextos. Ele ajuda a explicar por que determinadas pessoas, mesmo com recursos objetivos, têm resultados aquém do esperado, enquanto outras conseguem sustentar trajetórias mais adaptativas. É importante destacar que nem todo pensamento equivocado gera, necessariamente, uma profecia autorrealizável. Para que isso ocorra, algumas condições precisam estar presentes, como repetição, carga emocional significativa, rigidez cognitiva e reforços ambientais consistentes. Essas condições podem ser avaliadas e trabalhadas no processo psicoterapêutico. Um exemplo cotidiano ajuda a ilustrar o fenômeno. Alguém acredita que irá fracassar em determinada situação e, por medo ou excesso de cautela, adota comportamentos de evitação, insegurança ou retraimento. Essas atitudes aumentam as chances de um desfecho negativo, reforçando a crença inicial. É, em linhas gerais, assim que a profecia autorrealizável opera. Quando esse processo passa a comprometer a vida? A profecia autorrealizável torna-se clinicamente relevante quando começa a limitar o desenvolvimento do indivíduo. Nesses casos, oportunidades profissionais podem ser perdidas, relações interpessoais ficam fragilizadas e situações potencialmente positivas passam a ser percebidas como ameaçadoras. As chamadas crenças limitantes exercem um impacto direto sobre escolhas e possibilidades. A psicoterapia possibilita compreender como essas crenças se estruturam, quais experiências as sustentam e de que forma continuam sendo reforçadas no presente. Esse trabalho exige um conhecimento cuidadoso da história de vida do paciente e uma relação terapêutica consistente, capaz de identificar padrões disfuncionais, incongruências e modos rígidos de funcionamento. A profecia autorrealizável na clínica psicológica Do ponto de vista clínico, a profecia autorrealizável não constitui um diagnóstico. Trata-se de um fenômeno psicológico transversal, com impacto relevante na manutenção, agravamento e cronificação de diferentes quadros psicopatológicos. Na prática clínica, sua manifestação é observada com maior frequência em alguns contextos: Quadros depressivos Em quadros depressivos, a profecia autorrealizável costuma se associar a ideias persistentes de desvalor, impotência e desesperança. Expectativas recorrentes de rejeição e fracasso fazem com que o indivíduo se comporte como alguém que “não dará certo”, aumentando, de fato, a probabilidade de resultados negativos. Quadros de ansiedade Nos transtornos de ansiedade, observa-se a antecipação constante de avaliações negativas, acompanhada por comportamentos de evitação e interpretações distorcidas de sinais neutros ou ambíguos. Esse padrão contribui para a manutenção dos ciclos ansiosos. Quadros psicóticos Em quadros psicóticos, o fenômeno assume uma complexidade maior. A expectativa de incapacidade funcional pode ser reforçada por ambientes excessivamente superprotetores ou restritivos, limitando experiências de autonomia e fortalecendo a crença de incompetência. Transtornos do neurodesenvolvimento Transtornos como TDAH, transtornos específicos de aprendizagem e Transtorno do Espectro Autista também estão sujeitos à profecia autorrealizável. Em muitos casos, expectativas negativas reiteradas por figuras de autoridade levam à internalização de rótulos como “incapaz” ou “problemático”, afetando autoestima, motivação, engajamento acadêmico e participação social. O cuidado Em síntese, a profecia autorrealizável não pertence a um diagnóstico específico, mas constitui um processo psicológico central em múltiplos quadros clínicos. Sua identificação exige atenção qualificada na escuta, na formulação de caso e na condução terapêutica. As reflexões apresentadas aqui não substituem uma avaliação psicológica nem um acompanhamento psicoterapêutico adequado. Caso você perceba que pensamentos e crenças vêm limitando suas escolhas, seu bem-estar ou seu desenvolvimento, buscar ajuda profissional é um passo importante e recomendado. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jonatas Mackson Silva de Oliveira

  • Crenças centrais: as lentes invisíveis que moldam sua forma de ver a vida.

    Crenças centrais: as lentes invisíveis que moldam sua forma de ver a vida. Muitas pessoas acreditam que seus pensamentos refletem fielmente a realidade. No entanto, na TCC, compreendemos que grande parte do que pensamos passa por lentes cognitivas, chamadas de crenças centrais. As crenças centrais são ideias profundas, globais e rígidas que desenvolvemos sobre nós mesmos, sobre os outros e sobre o mundo. Elas costumam se formar a partir de experiências precoces, relacionamentos significativos e eventos emocionalmente marcantes, especialmente quando repetidos ao longo do tempo. Alguns exemplos comuns de crenças centrais são: “Eu não sou bom o suficiente” “As pessoas sempre me decepcionam” “O mundo é perigoso” “Se eu errar, serei rejeitado” Essas crenças funcionam como filtros invisíveis. Elas não determinam exatamente o que acontece, mas influenciam profundamente como interpretamos cada situação. A partir delas, surgem os pensamentos automáticos — rápidos, involuntários e muitas vezes carregados de distorções cognitivas. Quando uma crença central é rígida e negativa, a pessoa tende a: Selecionar apenas informações que confirmem essa crença, Desconsiderar evidências contrárias, Reagir emocionalmente de forma intensa, Repetir padrões de comportamento que mantêm o sofrimento. É importante destacar que crenças não são fatos, embora muitas vezes sejam vivenciadas como verdades absolutas. Elas são construções psicológicas, aprendidas e reforçadas ao longo da vida. Justamente por isso, podem ser questionadas, flexibilizadas e ressignificadas. Na terapia cognitivo-comportamental, o trabalho com crenças centrais é feito de forma cuidadosa e gradual. O objetivo não é eliminar crenças, mas ampliar o repertório cognitivo, desenvolver interpretações mais equilibradas e permitir que a pessoa enxergue a realidade com mais nuances. Quando começamos a questionar essas lentes, algo importante acontece: A visão de si se torna menos rígida, A visão dos outros mais complexa, E o mundo deixa de ser percebido apenas como ameaçador ou injusto. Esse processo tem impacto direto na redução de sintomas emocionais e no aumento de autonomia, autocompaixão e flexibilidade psicológica - aspectos fundamentais para uma saúde mental mais sólida e sustentável. Agende a sua sessão. Entre em contato. Cuide-se bem. Lorena Pessoa Fidelis

  • Tudo o que você precisa saber sobre a psicoterapia online.

    Tudo o que você precisa saber sobre a psicoterapia online. A psicoterapia online é uma modalidade de cuidado psicológico reconhecida e regulamentada , que amplia o acesso ao acompanhamento em saúde mental, preservando os princípios éticos, técnicos e científicos da prática psicológica. Para quem a psicoterapia online é indicada? A psicoterapia online pode ser adequada para diferentes perfis, desde que haja avaliação técnica por parte do profissional . Entre os principais públicos, destacam-se: Pessoas com rotina intensa ou agenda restrita : possibilita economia de tempo ao eliminar deslocamentos, especialmente em grandes centros urbanos. Pessoas brasileiras residentes no exterior : facilita o acesso a profissionais que compartilham o mesmo idioma e referências culturais. Pessoas com mobilidade reduzida : reduz barreiras físicas de acesso aos consultórios presenciais. Pessoas que residem em cidades pequenas ou regiões com poucos profissionais especializados: amplia o acesso a diferentes abordagens e especialidades. Quem busca maior privacidade ou conforto : permite a realização das sessões em um ambiente familiar e seguro. Adolescentes : desde que haja consentimento formal das pessoas responsáveis e avaliação técnica que indique a adequação da modalidade. Quais plataformas são utilizadas para as sessões? As sessões são realizadas exclusivamente por meio de plataformas digitais seguras , que utilizam criptografia de ponta a ponta, garantindo a confidencialidade das informações e impedindo a interceptação de áudio e vídeo por terceiros. Exemplos incluem plataformas corporativas como Google Meet for Business, Zoom ou sistemas específicos desenvolvidos para telepsicologia, sempre em conformidade com as normas éticas e legais da profissão. Quais cuidados a pessoa atendida deve ter na psicoterapia online? Para favorecer a qualidade do atendimento e a segurança do processo terapêutico, recomenda-se: Confirmar previamente o agendamento e acessar o link enviado com antecedência; Priorizar o horário reservado para a sessão; Verificar a qualidade da conexão com a internet antes do atendimento; Escolher um ambiente silencioso, reservado e confortável; Utilizar fones de ouvido sempre que possível; Evitar o uso de redes Wi-Fi públicas ou abertas; Manter o dispositivo com sistema operacional e antivírus atualizados; Garantir que esteja em um ambiente isolado, evitando a presença ou escuta de terceiros durante a sessão. Os resultados são mais lentos por se tratar de atendimento online? Não. A psicoterapia online apresenta eficácia e tempo de resposta equivalentes ao atendimento presencial para a maioria das condições clínicas , como ansiedade, depressão e dificuldades relacionais. Em alguns aspectos, a modalidade online pode inclusive favorecer o processo terapêutico: A facilidade de acesso diminui faltas relacionadas a trânsito, deslocamento ou imprevistos logísticos, favorecendo a continuidade do tratamento. A eliminação de barreiras geográficas possibilita acesso mais imediato ao cuidado, reduzindo o risco de agravamento dos sintomas. Muitas pessoas se sentem mais à vontade em seu próprio ambiente, o que pode facilitar a expressão emocional e o vínculo terapêutico desde as primeiras sessões. Eventuais dificuldades relatadas geralmente não se relacionam à eficácia do tratamento em si, mas a fatores técnicos ou contextuais, como: Instabilidades de conexão que podem interromper o fluxo da comunicação; Preparação prévia : no formato online, recomenda-se reservar alguns minutos antes e depois da sessão para favorecer o foco e a integração do conteúdo trabalhado; Questões de privacidade : quando a pessoa não se sente segura para falar livremente em casa, o processo pode ser impactado. Como alternativa ao ambiente residencial, algumas pessoas optam por iniciar o atendimento em locais diferentes, priorizando conforto e segurança. Quem não pode receber atendimento nessa modalidade? Há situações em que o psicólogo ou a psicóloga fica tecnicamente impossibilitado(a) de oferecer atendimento online. Isso ocorre quando a pessoa apresenta: Risco iminente à vida ou à integridade , como ideação suicida grave, automutilação severa ou vivência de violência doméstica; Ameaça à liberdade ou aos direitos , como em contextos de privação de liberdade ou medidas socioeducativas, nos quais o acompanhamento presencial é fundamental; Situações de urgência ou emergência , como crises psicóticas agudas ou contextos de desastre que comprometam a estabilidade emocional e a segurança da pessoa atendida. O que fazer se a situação exigir outra modalidade de cuidado? Nesses casos, é fundamental buscar atendimento presencial para que o quadro clínico seja acolhido em sua complexidade e receba o cuidado mais adequado no momento. Isso não invalida a psicoterapia online no futuro , mas indica que, agora, outro tipo de atenção é necessário. Se houver necessidade de suporte imediato, recomenda-se ter à disposição os seguintes serviços públicos de urgência no Brasil: CAPS III e CAPS AD III (Álcool e Drogas) : funcionamento 24 horas, inclusive fins de semana e feriados, com acolhimento noturno para situações de crise intensa. UPA 24h (Unidades de Pronto Atendimento): realizam acolhimento, classificação de risco e encaminhamento para a rede de saúde mental. SAMU 192 : atendimento pré-hospitalar em situações de urgência, incluindo crises psíquicas agudas. CVV – Centro de Valorização da Vida (188) : atendimento gratuito e sigiloso para escuta emocional. É importante lembrar que a necessidade de outro tipo de atendimento em determinado momento não significa impossibilidade definitiva de acompanhamento online, mas sim um ajuste responsável às demandas atuais de cuidado. O exercício profissional da Psicologia mediado por Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação é regulamentado pelo Conselho Federal de Psicologia , conforme normativas vigentes. Entre em contato para agendar a sua sessão. Cuide-se bem. Jonatas Mackson Silva de Oliveira

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